Marcelo Rebelo de Sousa considera que o primeiro-ministro devia pedir desculpas aos portugueses e que o Presidente da República não devia ter-se pronunciado sobre a polémica das dívidas antes de Passos Coelho dar explicações no Parlamento.
 

«O pedido de desculpas tem lógica. Não basta o pagamento voluntário. As pessoas gostam de ver nos políticos um exemplo de consistência ao longo da carreira».


Segundo o ex-líder do PSD, Passos Coelho «tem de esclarecer tudo muito direitinho no debate quinzenal», embora concorde que a questão das dívidas faz parte da «querela pré-eleitoral». Até agora, as explicações foram «numerosas» e pecaram na «alusão a José Sócrates».
 

«Esteve muito mal ao afastar-se da estratégica do PSD de não misturar este caso com o debate político. E pronunciou-se numa questão em que há presunção de inocência. Mas Sócrates também reagiu excessivamente».


Quanto às declarações de Cavaco Silva, que alegou que a polémica das dívidas do primeiro-ministro era uma questão de «luta partidária», Marcelo reconhece que o Presidente «não esteve feliz».
 

«Cavaco teve de reconhecer uma coisa que é sua responsabilidade. Quando diz que há um cheiro pré-eleitoral, a responsabilidade é sua, que não quis marcar eleições mais cedo, e mal. Agora não pode queixar-se do clima que existe e da dificuldade de fazer consenso entre partidos com esta polémica tão longa».


O comentador da TVI defende que dissolver a Assembleia da República e provocar a demissão de Passos seria «deitar petróleo sobre uma fogueira», mas defende que o melhor teria sido Cavaco não falar.
 

«Em rigor, não devia ter-se pronunciado sobre este caso nesta fase, foi prematuro. Que tenha cuidado para não repetir muitas intervenções que acabem por esvaziar e enfraquecer o papel do Presidente num momento muito sensível da política portuguesa».