O professor Marcelo Rebelo de Sousa analisou este domingo no seu comentário na TVI a prisão preventiva de José Sócrates.

Sócrates «é um pouco sem dinheiro e sem televisões, como Berlusconi em Itália», ou seja, «só morto é que se cala».

 
«Não é o comum dos presos preventivos. (…) No espaço de uma semana teve uma carta ao Público, um telefonema ao Expresso e a disponibilidade para uma entrevista».
 
Marcelo Rebelo de Sousa acha que a estratégia de Sócrates é a seguinte: «Vou responder fazendo o meu contra-processo político pessoal» e, caso não o deixem, «vitimiza-se (…). E, de repente, já não se está a discutir a substância da coisa, está-se a discutir o tratamento que lhe é dado. A forma da coisa».
 
Mário Soares protagonizou a visita mais emotiva a José Sócrates na cadeia de Évora. «Mário Soares é um afetivo e está naquela fase da vida em que a pessoa diz exatamente tudo o que pensa, sem filtros», mas «disse coisas que um antigo Presidente da República não pode dizer. Não pode tratar assim um magistrado e não pode tratar assim a Justiça. Faz mal à República», diz o comentador.

Na análise jurídica, Marcelo Rebelo de Sousa esclarece que efetivamente o juiz não tem que revelar os fundamentos da prisão preventiva, mas, «neste caso» talvez «se justificasse devido à especulação pública e às fugas de informação, mas é um poder do juiz».
 
Vistos um a um os pressupostos da prisão preventiva, a Marcelo Rebelo de Sousa
«não lhe parece provável» o perigo de fuga, mas que o juiz pode ter entendido poder haver perturbação do inquérito. «Admito que haja o problema das investigações ou da perturbação das investigações».
 
No que toca ao pressuposto de alarme social, o constitucionalista entende que «José Sócrates dentro ou fora da cadeia não deixa de se manifestar», como já aconteceu esta semana, por telefone ou carta.

 
As «ondas políticas são mais fortes dentro da cadeia do que fora da cadeia», frisa o comentador.

 
Embora admita que «não tem os dados todos» do processo para se pronunciar, o professor de Direito explica que «o crime mais difícil de provar é a corrupção ativa ou passiva» e adverte que «uma parte respeitante ao período anterior a primeiro-ministro provavelmente já prescreveu. Fica o tempo de primeiro-ministro. Aí não prescreveu. Mas é preciso provar (…). A corrupção tem de se provar especificamente. Não é fácil a tarefa da investigação. Vamos ver o que se consegue provar ou não».
 
Marcelo Rebelo de Sousa considera que o pedido ao Supremo Tribunal de Justiça feito por um cidadão anónimo para libertar José Sócrates deve ser indeferido. «O Pedido de Habeas Corpus não vejo ponto por onde se pegue», entende. Depois, há o recurso do advogado, que segue para a Relação.
 
Marcelo Rebelo de Sousa analisa também o papel do Ministério Público e do juiz Carlos Alexandre neste processo e considera « infelizes» as intervenções do ex-PGR, Pinto Monteiro, a propósito do almoço com Sócrates.