Marcelo Rebelo de Sousa disse esta segunda-feira que os resultados das eleições presidenciais de domingo no Brasil que, deram a vitória a Dilma Rousseff com uma margem escassa de 51% dos votos, contra 48% de Aécio Neves, deixam o país dividido. No «Jornal das 8» da TVI

Em direto de São Paulo, no Brasil, Marcelo Rebelo de Sousa disse que uma primeira leitura dos resultados eleitorais «mostra que o Brasil está partido, em termos geográficos (Norte e nordeste para Dilma; Sul e sudoeste para Aécio). E está partido em termos sociais (classes média e média alta para Aécio; classe média baixa e eleitorado mais pobre Dilma)». O comentador realçou que Dilma Rousseff «fez o pleno possível do seu eleitorado. Aécio não conseguiu fazer, por pouco, o pleno do eleitorado contra Dilma».

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que a vitória de Dilma Rousseff com uma margem escassa assume dois significados. Em primeiro lugar, que Dilma tem de tomar a iniciativa e fazer um referendo sobre a reforma política para tirar argumentos às suas oposições. E em segundo lugar, que a «Presidenta» tem de mudar a equipa governamental. «Ela vai ter de ir buscar um novo ministro das Finanças (Fazenda), uma nova equipa económica em geral, e vai ter de virar a sua preocupação para a economia para as classes médias, para os empresários, para recuperar uma situação que entrou em rampa descendente», afirmou. 
 
Para Marcelo Rebelo de Sousa, «o mais curioso da história» é que Dilma Rousseff vai ter de fazer isso tudo com a ajuda de Lula da Silva: «Lula ajudou muito Dilma na ponta final da campanha e Lula, tudo indica, quer ser candidato daqui a quatro anos. E portanto, no primeiro dia do segundo Governo Dilma, começa a corrida de Lula para daqui a quatro anos, nomeadamente da colocação de pessoas da sua confiança».