Marcelo Rebelo de Sousa admitiu, esta quarta-feira, em entrevista à TVI, que se enganou quando, há dois anos, defendeu que o sistema financeiro em Portugal era estável.
    

“[Reconheço] Sim, sem dúvida. Por exemplo, lembro-me que quando houve a recapitalização do BPI e do BCP e também, em 2012 – foi tudo em 2012 – do Banif, um plano de reestruturação, na altura disse, no começo de 2013, que me parecia que ia funcionar bem qualquer destas medidas. Ora, a realidade mostrou que funcionou bem no BCP, funcionou bem no BPI, mas não funcionou no Banif.


O candidato presidencial afirmou ainda que, se chegar a Belém e houver nova crise com um banco nacional, quer ser totalmente informado pelo Governo e perceber a solução para o problema. No entanto, este é um cenário com que espera não “haja nos próximos cinco anos”.

Já sobre o governador do Banco de Portugal, disse não tomar “qualquer posição” relativamente ao cargo, dizendo apenas que quando Carlos Costa foi reconduzido como governador disse duas coisas: “devia ter sido ouvido o principal partido da oposição e que se fosse o Dr. Carlos Costa não aceitaria ser reconduzido”.

Evitando grandes análises à situação financeira e também política, dizendo que não cabem numa candidatura a presidente, Marcelo Rebelo de Sousa optou por falar sobre o caminho no qual é favorito.

“Há uma tendência em termos de credibilidade de intenção de voto que aponta para uma possível eleição à primeira volta e, não sendo assim, estou convencido, a uma segunda volta. E por isso, disse várias vezes, estou convencido, olhando para a realidade já existente, que tenho condições para ganhar à primeira volta e de ganhar à segunda volta.


O candidato à presidência da República falou ainda sobre a responsabilidade do chefe de Estado de estabelecer pontes "entre os dois países políticos em que está dividido o país", dizendo ser o candidato que tem uma candidatura "mais abrangente" e que por isso está em "melhores condições para fazer este tipo de pontes".

"O Presidente vai ter de cerzir tecidos que estão muito deslaçados, vai ter de cicatrizar feridas, vai ter de fazer pontes, vai ter de manter, quer no plano político, quer no plano de coesão social, a concertação social."


Em entrevista à TVI, Marcelo Rebelo de Sousa evitou abordar a situação no PSD e CDS/PP. No entanto, afirmou que não vai “renegar” um possível apoio do PSD durante a campanha para as presidenciais, mas sem comentar a participação de Passos e Portas na mesma.