A greve na TAP "finalmente" termina este domingo e Marcelo Rebelo de Sousa classificou-a como "a greve dos 70%, porque 70% funcionou", considerando que, "em termos, estritamente, de braço-de-ferro político o governo ganhou e o sindicato perdeu" e foi "suicida". "Isso parece claro", disse no seu habitual espaço de comentário no Jornal das 8 da TVI.

No entanto, assinalou, "é evidente que quem perdeu foi o país". Embora se tenham realizado, em média, 70% dos voos, segundo a empresa (o sindicato fala em 50%), e tenha havido, assim, um "custo muito inferior ao que se temia", o professor sublinha que é um custo "pesado".

"É lamentável que porta-voz do sindicato tenha vindo vangloriar-se do prejuizo de 30 milhões de euros inflingido. É suicida: 'estou a destruir-me a mim mesmo'. É suicida e, portanto,é lamentável esse tipo de declaração"

O comentador da TVI defende que o SPAC deve repensar "o destino da direção" do sindicato (que convocou a greve).

"Não percebeu uma coisa: ao perder os portugueses, perdeu a guerra. O seu destino, já que não sai pelo seu pé, é ser substituído pelos associados"


Esperando que não esteja na mira nova greve, afirmou que, nesse caso, "seria muito difícil ao governo evitar a requisição civil"- "E seria o cumulo do precipício" por parte dos pilotos.

Sobre António Costa ter defendido, em entrevista à TVI, na semana passada, que quer manter a TAP controlada pelo Estado se for eleito primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "a questão pode ser mais complicada do que isso".

Isto porque, justificou, o processo de privatização pode implicar "recursos, impugnações", havendo o "risco" de se prolongar até outubro, mês de eleições.  "Já que este governo não teve visão de regime de contactar o PS" antes de avançar com o processo, Marcelo Rebelo de Sousa espera que os socialistas não respondam na mesma moeda. 

Já quanto à biografia autorizada de Pedro Passos Coelho, que marcou a última semana, Marcelo Rebelo de Sousa relativizou a questão da demissão de Paulo Portas ter sido comunicada por carta ou por SMS, mas disse que "é verdade" que o agora vice-primeiro-ministro "fez blackout" durante a crise política no verão de 2013.