Marcelo Rebelo de Sousa considera que a sondagem da TVI, Público e TSF, que atribui 37,6% de intenções de voto ao Partido Socialista, contra 32,7% para a coligação PSD/CDS-PP, diz que os portugueses querem "esmagadoramente uma maioria absoluta". O comentador da TVI afirmou, esta quarta-feira, no "Jornal das 8" que, a três meses das eleições, o PS ganha claramente uma dinâmica de vitória em desfavor da coligação.

"Os portugueses querem esmagadoramente uma maioria absoluta, é óbvio que se está longe da maioria absoluta."


E no caso deste cenário se confirmar, Marcelo Rebelo de Sousa destaca a preferência dos portugueses por um bloco central e, em segundo lugar, por um governo de esquerda muito próximo deste bloco.

"Se não houver maioria absoluta o que preferem? Um bloco central, mas com um governo de esquerda muito próximo do bloco central. Não me lembro de haver 33% a defender um governo de esquerda para 36% a defender um bloco central alargado ao CDS."

 
O comentador da TVI lembrou que "as sondagens valem o que valem". Porém, e a cerca de três meses das eleições legislativas, o PS ganha, no seu entender, uma dinâmica de vitória.

"Há ideia de que o PS vai vencer e há uma nova dinâmica a favor do PS, desfavorável à coligação."


Quem terá a vida dificultada, na opinião de Marcelo, é Cavaco Silva, que sem uma maioria absoluta terá de compor um bloco central "de composição muito complexa".

"Obriga Cavaco Silva a um trabalho muito difícil que é tentar compor um bloco central de composição muito complexa."

Marcelo Rebelo de Sousa acredita ainda que, perante um resultado destes Passos sairá da liderança do partido.

"Com um resultado destes, Passos saía logo a seguir."

O debate do Estado da Nação foi outro dos temas analisados pelo comentador da TVI. Marcelo Rebelo de Sousa salientou que houve uma mudança no discurso do PS, mais direcionada às pessoas e ao concreto, que poderá marcar a campanha eleitoral.

"Houve uma coisa nova, foi pegar exemplos da vida concreta e isso pode marcar a campanha eleitoral. Isto é o regresso à ideia de terreno, à política das pessoas e do concreto, o que vai obrigar a coligação a fazer a transposição do discurso de 'os números são melhores', isto é, da macroeconomia para a microsociedade, a vida das pessoas com nomes concretos."