Paulo Portas e Pedro Passos Coelho têm "feitios opostos", mas Marcelo Rebelo de Sousa não entende o "alarido" que a biografia do primeiro-ministro causou - a não ser pela "tensão subjacente" que existe entre os dois. Isto depois de se saber que o na altura ministro dos Negócios Estrangeiros apresentou a demissão irrevogável, no verão de 2013, por SMS. No jornal das 8 da TVI, o professor assinalou, no entanto, que "é verdade" que Portas "fez blackout".

"É verdade. Paulo Portas ficou incomunicável. Não atendia ninguém durante não sei quanto tempo. Fez blackout"


Isso depois de anunciar a demissão, se foi por SMS ou por carta, é algo que Marcelo Rebelo de Sousa relativiza: "O que é curioso é o alarido que isso provocou. Portas desmentiu e disse que foi por carta. Não se justifica o alarido não fosse a subjacente tensão que provocou alarido. As pessoas compraram valor facial do que veio nos jornais", afirmou, deixando depois uma crítica a Passos Coelho mas sobre outro episódio:

"Mais importante para provocar alguma surpresa não haver uma palavra de Passos Coelho no discurso dos 40 anos do PSD quando durante uma hora e vinte [minutos] não ter falado do parceiro de coligação CDS-PP"


Quanto ao que está escrito no livro sobre o pedido de entendimento que o Presidente da República fez aos três principais partidos (PSD; CDS e PS) durante essa crise política de 2013, o professor advertiu: "Eu não percebo a polémica. Não está na boca dele. É a autora que diz".

Em entrevista à TVI24, a autora Sofia Aureliano desmentiu, de facto, que tenha sido Passos Coelho a afirmar que Cavaco Silva deixou o governo em “banho-maria”.

De resto, ainda em relação ao livro de Passos Coelho, que o professor comprou e leu - "Ninguém me ofereceu" - frisou que é um livro "muito controlado", uma vez que "não há ninguém de outros lados que seja ouvido".

Não tem críticos, na descrição dos factos, mesmo quando são favoráveis, há um cuidado na descrição. Há buracos imensos sobre a vida profissional e política. Dou um exemplo meu: foi muito influente na minha candidatura à liderança da JSD" e isso não consta no livro, que é "pensado essencialmente nas eleições"


Resumindo, disse ainda, é um "livro unilateral e lacunar em alguns aspetos".

Já sobre a greve de 10 dias na TAP, que termina precisamente este domingo, Marcelo Rebelo de Sousa defende que foi o Governo quem "ganhou" o braço-de-ferro e que o sindicato que convocou a paralisação "perdeu" e foi "suicida"