Marcelo Rebelo de Sousa considera que a coligação PSD/CDS está a optar por uma estratégia defensiva durante a pré-campanha eleitoral, deixando o Partido Socialista apresentar ideias primeiro, para depois usar os deslizes socialistas para contra-atacar.  

No comentário semanal no “Jornal das 8” da TVI, Rebelo de Sousa disse que esta estratégia de “fazer-se de morta” é ótima para a coligação, porém gera uma falta de iniciativas em relação aos socialistas, que já se notou esta semana.

“Julho passou, agosto passou, estamos a duas semanas do frente-a-frente propriamente importante [entre a coligação PSD/CDS e PS] e nós percebemos efetivamente para onde é que vai o desempate. E já se percebeu qual é a estratégia da coligação [PSD/CDS]: fazer-se de morta até poder, para depois arrancar em força, e evitar fraturas internas. No partido socialista o grande desafio é: tomar iniciativa, evitando [também] fraturas internas”.


Rebelo de Sousa acredita que a coligação está focada em silenciar a questão da Segurança Social, e não entende como o líder do PS, António Costa, não usa este trunfo a seu favor.

“A coligação conseguiu, com Passos Coelho de férias e Paulo Portas a presidir ao Conselho de Ministros, passar praticamente toda a semana sem tomar nenhuma iniciativa política, deixando ao PS ocupar a ribalta e depois comentando aquilo que aparece como deslize do PS. (…) A coligação agora decidiu duas coisas: primeiro, silenciar a questão da Segurança Social, e não percebo porque é que António Costa não insiste nisso. E segundo, não responder aos apelos de quantificação dizendo: “o que havia para dizer já foi dito a Bruxelas”. (…) Portanto, a coligação conseguiu passar incólume a esta semana, sem nenhuma iniciativa.”


“Maria de Belém apagou a rentrée de António Costa”


Durante o seu comentário, o ex-presidente do PSD referiu-se, também, à polémica em torno dos candidatos presidenciais que podem vir a ser apoiados pelo PS: Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa.

Sobre a apresentação oficial da candidatura de Maria de Belém, e o facto de ter coincidido com uma entrevista de António Costa à SIC, Marcelo Rebelo de Sousa diz que a candidata a PR acabou por “apagar” a rentrée do líder socialista.

“[A apresentação da candidatura de Maria de Belém] apagou a entrevista. Deixou de haver entrevista e passou a haver Maria de Belém. (…) A hora, porventura, não foi [intencional], mas o dia foi, e ficou apagada a rentrée de António Costa”.


Já sobre Sampaio da Nóvoa, o comentador da TVI diz que o candidato esta semana usou a mesma tática da coligação.

Sampaio da Nóvoa fez-se de morto, uma nova tática que está a dar imenso. (…) [Consiste] em deixar os outros fazer asneiras e na dúvida não fazer nada, para não fazer [também] asneiras”.
 
 

“Sócrates é um incómodo para o PS”
 

Rebelo de Sousa referiu-se, ainda, à nova carta enviada à imprensa pelo ex-primeiro-ministro, José Sócrates, a partir da prisão. Para o comentador da TVI, esta nova missiva não teve repercussão alguma, dado o excesso de cartas já enviadas por Sócrates. Ainda assim, admite que esta situação é um “incómodo para o PS”.

 “Aconteceu com esta carta aquilo que eu disse que podia acontecer um dia a José Sócrates: cansou. Já não teve repercussão praticamente nenhuma. (…) Ele está no seu direito de fazer a sua defesa política (jurídica, mas também política), mas agora o argumento mudou, [a prisão] já não é para o atacar a ele é para impedir a vitória do PS. Já não teve repercussão nenhuma e, se alguma [teve], é desfavorável ao PS. É um incómodo (…) e esta defesa esta a ter custos para o Partido Socialista.”
 

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