O comentador da TVI, David Dinis, considerou, esta sexta-feira, que Marcelo Rebelo de Sousa quer ser o “candidato do centro” da política portuguesa, distanciando-se de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém na capacidade de reunir votos à direita e ao centro.

No programa “21ª Hora” da TVI24, David Dinis disse que o discurso de Rebelo de Sousa durante a apresentação da sua candidatura a Belém foi direcionado para deixar claro que o ex-presidente do PSD tem “capacidade de estabelecer pontes” entre a direita e a esquerda, estratégia para reforçar a sua imagem de candidato presidencial.
 

“Ele acrescentou uma série de pontos a tentar reforçar a sua imagem de candidato presidencial: primeiro, quando diz ‘a minha independência que provocou tanta azia em tanta gente’, depois o currículo extenso, para depois chegar a um ponto: Marcelo quer ser o candidato do centro. Sampaio da Nóvoa é o candidato da esquerda, Maria de Belém é a candidata do PS, [Marcelo quer ser o do centro]. (…) Quando ele termina o seu discurso, ele termina naquilo que ele quer que seja o foco da sua candidatura, que é a capacidade que ele tem de estabelecer pontes.”


Para o comentador da TVI, Marcelo é um candidato “transversal” a todos os partidos, e definitivamente não é apenas o “candidato do PSD”.
 

“Marcelo Rebelo de Sousa não é definitivamente o candidato do PSD, aliás jurava que ele vai buscar muitíssimos votos ao PS, ao PCP, ao Bloco de Esquerda e ao CDS. É [um candidato] muito transversal.”

 
Costa não podia sair da reunião a dizer “isto correu bem”

No seu comentário, David Dinis referiu-se, ainda, à reunião desta sexta-feira entre o Partido Socialista e a coligação PSD/CDS, de onde António Costa e Passos Coelho saíram sem encontrar propostas comuns. Para o comentador da TVI, António Costa já tinha planeado esse discurso, uma vez que ainda tem uma reunião com Bloco de Esquerda na segunda-feira.

“Acho que António Costa partiu para esta ronda de reuniões com as cartas já marcadas, pelo menos as suas. É evidente que António Costa não podia sair da reunião com a coligação PSD/CDS – independentemente do resultado – com um discurso: ‘isto correu bem’. Se ele fizesse esse discurso não tinha nada para falar com o Bloco de Esquerda na segunda-feira, e começava a entrar em perda no ‘jogo’", disse David Dinis.