Marcelo Rebelo de Sousa não poupou críticas à proposta do PSD, CDS-PP e PS de querer obrigar os meios de comunicação social a apresentar previamente os planos de cobertura das legislativas.

O comentador político afirmou que a proposta " é um absurdo" e "um retrocesso do ponto de vista democrático".

"Dá a sensação que a partidocracia vai tão longe que eles têm medo da cobertura das campanhas eleitorais", afirmou Marcelo, questionando ainda «como foi possível passar pela cabeça [destes três partidos], em vésperas do 25 de Abril, um esquema que se prestava à interpretação de uma censura prévia».

Marcelo considerou ainda "inadmissível" entregar a "uma comissão mista - formada pela ERC e pela Comissão Nacional de Eleições, o controlo prévio desses planos de cobertura".

"Isso já não é absurdo, é realmente uma falta de noção das realidades", considerou.


O comentador político analisou ainda a coligação eleitoral entre PSD e CDS, afirmando que a mesma, para quem ler a declaração assinada por Passos e Portas - e conhecer a política - é a prova de "que é uma coisa feita na ponta final, em 48 horas”.

“Foi uma coisa muito preparada? Acho que não. Esta nova  versão de que esteve semanas a ser preparada… Isto foi uma coisa de muito pouco tempo”, afirmou Marcelo, acrescentando que a proposta "é muito vaga e seguiu um sistema que não é habitual. Habitualmente, vai órgãos dos partidos e depois celebra-se. Aqui foi celebrada e vai aos órgãos dos partidos para celebração”.


Greve da TAP não acontecerá

Marcelo Rebelo de Sousa falou ainda sobre a greve da TAP. O comentador afirmou que, " apesar de tudo, não haverá greve" porque os pilotos estão divididos.

"Sendo certo que o Governo não vai (e bem) aprovar a requisição civil, então, se avançassem, em desespero, seria uma greve divisionista que, além de lesar o país e a empresa, dividiria a própria classe profissional", afirmou.