Marcelo Rebelo De Sousa diz que é negativo para Passos Coelho a dívida que tinha à segurança social. O comentador da TVI confessa não perceber como tal aconteceu, considera que há ainda muito por explicar e afirma também não entender como é possível pagar uma dívida prescrita.
 

«Isto para mim é chinês, não percebo. A pessoa para pagar os impostos não precisa de ser notificada para pagar. Sabe que tem de pagar. Não pagou, ponto final, parágrafo. Durante cinco anos não pagou», afirmou o comentador da TVI, acrescentando que também não percebeu «a explicação do ministro dos assuntos sociais».

 
«Há 117 mil portugueses que estiveram na mesma posição. Isto é, houve 117 mil pessoas que durante aqueles cinco anos não pagaram?», questionou.
 
No entanto, para Marcelo Rebelo de Sousa, a maior questão neste assunto é «como é que se paga voluntariamente uma dívida prescrita?»
 

«A dívida prescreveu, prescreveu. Não há dívida. Como é que alguém recebe uma dívida prescrita? Aparentemente pagou quando começou a investigação. Já era primeiro-ministro há três anos e tal. Como é que é possível em Portugal, as pessoas irem para primeiro-ministro e não haver uma investigação cuidadosa aquilo que pagaram e não pagaram de impostos e de segurança social anteriormente. É obviamente negativo para Passos Coelho mesmo pagando voluntariamente quando percebeu que tinha de pagar ou entendeu que devia pagar. É negativo isto ter acontecido».

 
Já sobre as declarações sobre um Bloco Central, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que Passos Coelho se colocou nas mãos do PS quando admitiu esse cenário e que isso só acontece porque o primeiro-ministro não resiste a ser analista político.
 

«Em Passos Coelho há sempre dois Passos Coelho. Ele não resiste a ser analista político. Ele não resistiu a dizer se não houver maioria absoluta. Devia ter dito: para mim é só maioria absoluta. Ponto. Não há segundo cenário. Ele disse: «há vários outros cenários até um governo com o PS». Ao dizer isso ele cria dois problemas, o primeiro é torna a posição do CDS um pouco incomoda, segundo, põe-se nas mãos do PS e do António Costa, que veio logo dizer que não. Quando ele estava numa posição acima, depois da gaffe de António Costa, supondo que era só gaffe, ele pura e simplesmente devia apontar para a maioria absoluta. Não admitir outro cenário»


«É indesejável misturar a posição partidária com a governamental»
 
O antigo líder do PSD comentou ainda as polémicas declarações de Alexis Tsipras. Para Marcelo Rebelo de Sousa, com ou sem razão, Tsipras não deveria ter feito duras criticas a Portugal e a Espanha, uma vez que, para o comentador da TVI, as posições partidárias não se podem misturar com as governamentais.
 

«Devia haver algum pudor em termos de governo. Pudor neste sentido, as pessoas deviam ter o cuidado de não fazer declarações nessa matéria, mas não há. A razão por que eu critico Passos Coelho quando ele disse que era um conto de crianças é que Passos Coelho estava a falar como primeiro-ministro e não como líder partidário.»


Marcelo Rebelo de Sousa considerou que Alexis Tsipras, «ao atacar o governo espanhol e o governo português, tenha ou não razão», está a «fazer campanha, mas está a misturar o que é uma posição partidária com o que é uma posição governamental. Isso é altamente indesejável

«Costa ou não diz nada ou tem de ser cuidadoso a dizer as coisas»

Depois de muita polémica sobre as declarações de António Costa perante a comunidade chinesa, Marcelo Rebelo de Sousa diz que o líder do PS tinha de encontrar uma expressão coerente com a demarcação que tem feito do governo.
 

«Havia várias maneiras de dizer o que ele aparentemente queria dizer. Se ele queria dizer que é importante o papel do investimento chinês em Portugal e queria dizer que esse investimento tinha contribuído em certos setores chaves da economia, de uma forma positiva para o país, tinha de encontrar uma expressão que fosse coerente com a demarcação que tem tido em relação ao governo. Ou fala como quem já se vê como primeiro-ministro e portanto já assume as dores de primeiro-ministro. Se é assim, ou não diz nada ou é cuidadoso em dizer coisas redondas. Se ele quer pensar já como primeiro-ministro, então reduz ao mínimo as suas promessas para não ter de violar as promessas no dia seguinte e tem muito cuidado no discurso que faz», considerou o antigo líder social-democrata.

 
O comentador da TVI afirmou ainda que falar num casino não é o local mais indicado para um futuro primeiro-ministro.
 

«Para um futuro primeiro-ministro, não diria que o sítio ideal para fazer declarações relativamente às relações com os investidores chineses é um casino. Numa reunião privada há 100 telemóveis que nos aguardam. Penso que não lhe saiu bem.»