A audição da ministra das Finanças na comissão de inquérito ao BES / GES «surpreendeu» Marcelo Rebelo de Sousa, pelo facto de Maria Luís Albuquerque ter «atacado» a supervisão da banca, responsabilizando-a indiretamente, e em parte, pelo colapso do BES.

«Surpreendeu, não ao distanciar o Governo da matéria», uma vez que «a decisão foi do Banco de Portugal (embora tenha ficado menos claro por causa dos diplomas legais [elaborados pelo Governo para que a resolução fosse possível]). A surpresa foi atacar a supervisão, de passagem, em vários momentos. Fica com a sensação de que Governo tira o corpo e o Banco de Portugal fica exposto»


Quanto ao governador do Banco de Portugal, o primeiro a ser ouvido, Marcelo Rebelo de Sousa entende que explicou o que se estava à espera: «Tentou um compromisso com a família Espírito Santo para não haver rutura», mas percebe-se que «falhou aquele intervalo incompreensível» entre saída de Ricardo Salgado da administração e a entrada de Vítor Bento. «Falhou a consonância» entre Bento e o BdP, bem como a questão da recompra de obrigações da Eurofin; pelos clientes do BES nas semanas antes da decisão.

 Sobre a audição do presidente da CMVM, recordou que o seu discurso esteve em linha com o papel da CMVM: que os pequenos acionistas «deviam ser protegidos» e que a CMVM está «à cata dos grandes» por causa da alegada fuga de informação que resultou na derrocada das ações, no dia 31 de julho, sexta-feira, logo a seguir à apresentação de resultados do banco, que foi intervencionado na segunda-feira seguinte.