
Marcelo Rebelo de Sousa criticou abertamente Pedro Passos Coelho pelas declarações proferidas em Espanha contra o uso da «golden share» pelo Governo na tentativa de compra da Vivo pela Telefónica.
No comentário habitual no «Jornal Nacional» da TVI, Rebelo de Sousa foi directo, considerando que o líder do PSD estava a fazer bem em manter-se calado e esteve «mal em relação ao caso da golden share», porque «dizer em Espanha que estava contra a posição do Governo dá a sensação de amanteigar os espanhóis».
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Marcelo não concorda com esta atitude do líder social-democrata, simplesmente porque até já o tinha feito em Portugal, mas é um facto que agora «foi a Espanha atacar os portugueses» e, ainda pior cima, «contrariou a orientação clássica do partido».
Neste negócio, aliás, Marcelo alertou para o facto de a Telefónica precisar de fazer este negócio «rapidamente, enquanto Lula está no poder», pelo que uma OPA hostil estaria sempre de parte como hipótese. Também voltou a manifestar a sua crítica aos accionistas privados, por não terem conseguido negociar uma solução mais favorável.
Espaço ainda para uma palavra sobre Durão Barroso e as suas declarações críticas à opção portuguesa de usar a «golden share». Marcelo recordou que os estatutos da PT «vêm do governo em que o primeiro-ministro era Cavaco Silva e o ministro dos Negócios Estrangeiros era Durão barroso». «Depois, de 2002 a 2004, o primeiro-ministro era Durão Barroso, que não mudou os estatutos. Na altura a golden share estava bem», frisou, recordando que, pouco depois, já como presidente da Comissão Europeia, acabou por defender o contrário:
«Não tenho nada contra as pessoas que tomam posições exactamente opostas consoante os cargos, mas tem de ter alguma contenção. Porque a decisão vai contra a posição dele no passado».
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