Por: Redacção | 5- 9- 2010 22: 3
Para Marcelo não há dúvida: o processo Casa Pia demorou demasiado tempo e a sua sentença é demasiado longa é pouco explícita.
Nos seus habituais comentários no «Jornal Nacional» da TVI, Rebelo de Sousa deixou críticas e tirou algumas lições.
Em
primeiro lugar, o processo «demorou muito tempo» e «a culpa é da lei». Na Bélgica, por exemplo, o julgamento do caso Dutroux
durou apenas três meses e meio, tendo 450 testemunhas, metade da Casa Pia. «Não acredito que não seja possível ultrapassar
esta diferença, até porque tem efeitos perversos. Para os queixosos, para as vítimas, mas também para os arguidos, pois é
uma aplicação de pena. Já cumpriram uma pena antecipada», frisou.
Quanto à sentença, alerta para o facto de «1600
páginas». «Não pode ser verdade, porque a sentença tem de ser clara e persuasiva. Mas esta não é e ninguém vai ler, por isso
perde a sua função», frisou, assumindo também reservas em relação à súmula divulgada, pois não foi apresentada uma segunda
parte: «A prova de que não foi clara é que o Conselho Superior de Magistratura teve de fazer um comunicado a explicar o conteúdo
da sentença».
Sobre as acusações, Marcelo diz que fica «a sensação que ao longo do tempo há reformulação do elenco
da matéria de facto, com uma diferença abissal entre o número de crimes iniciais e as condenações. É algo que não é próprio
só deste crime, o que denota dificuldade de obtenção de prova», vinca, considerando que ficou sem se saber «quão sólida é
essa fundamentação».
Seguem-se os recursos, desde logo para o Tribunal da Relação, e que «pode demorar um ano»,
mas também para outras instâncias possíveis, como o Tribunal Constitucional ou o Supremo.
Desde caso, Marcelo considera
que há lições a tirar. «Independentemente do recurso, todos admitem que houve vítimas. Ninguém repara o seu sofrimento, por
isso esta decisão surge como uma espécie de compensação; também é positivo que a sociedade portuguesa tenha mudado a sua perspectiva
sobre a pedofilia. É importante do ponto de vista ético e moral. São tipos de crimes que não deveriam ter prescrição», advoga,
considerando que também a instituição Casa Pia é «atingida» negativamente por esta situação.
A «rentrée» política
Rebelo
de Sousa falou doutros temas, como a situação política em Moçambique ou a «rentrée» política nacional.
Sobre o Bloco
de Esquerda, considera que «Francisco Louça não deve manifestar a sua felicidade em excesso relativamente a Manuel Alegre»,
dado que poderá sair prejudicado, com a perca de algum do seu eleitorado.
Considera que José Sócrates, durante o
comício que realizou em Matosinhos, disse «duas ou três coisas para os directos televisivos e depois esteve a encher chouriços,
para além de ter feito o auto-elogio».
O líder do PS, mas também o do PSD, abordou as questões do Orçamento de Estado
e da revisão constitucional, não chegando a uma ideia comum. Sobre o orçamento, «Sócrates mostrou abertura ao diálogo, com
alguma dureza, mas com teatro», e «agarrou como um petisco» a revisão constitucional.
Já Passos Coelho teve um «bom
discurso», com críticas ao Governo e «bons exemplos, como o dinheiro gasto no BPN ou excessos na máquina do Estado». Sobre
o orçamento. Foi «duro, mas não fechou a porta ao diálogo, ficando a ideia que é possível haver acordo». Quanto à revisão
constitucional, não foi tão eficaz.
Finalmente, sobre a festa do Avante e o discurso de encerramento de Jerónimo
de Sousa, definiu dois vectores essenciais, como a frente «anti-Nato, por casa da cimeira que se vai realizar em Lisboa»,
assim como «o apoio à CGTP». Neste aspecto, a campanha presidencial de Francisco Lopes assume-se como «completamente separada
da governação socialista, sem compromissos» e que vai ser «de ataque ao poder socialista».
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