Manuela Ferreira Leite considera “surreal” o pedido do secretário de Estado da Energia à Comissão Europeia para que se investigue se há ou não concertação de preços e abuso de posição dominante das petrolíferas em Portugal. No seu espaço de comentário semanal na 21.ª Hora da TVI24, esta quinta-feira, a antiga ministra das Finanças frisou que o governante passou um atestado de "mau comportamento" às empresas que tutela.

É surreal que haja um secretario de Estado que se lembre de perguntar a uma instância que não é nacional para investigar o comportamento das empresas que ele tutela”, começou por dizer.

Para a comentadora da TVI24, Jorge Seguro Sanches “passou um atestado de mau comportamento e de desconfiança às empresas que tutela”. Mais, Ferreira Leite criticou o secretário de Estado por ter ultrapassado todos os reguladores nacionais. 

“Ultrapassou todos os reguladores nacionais, como quem diz 'não confio em vocês', e foi diretamente a uma instância europeia para investigar - é que os termos são graves - o comportamento das empresas”

Sobre as eleições autárquicas, Ferreira Leite criticou o facto de a descentralização ter passado ao lado da campanha, considerando que esta é uma “situação inexplicável”. A social-democrata criticou não só a comunicação social, como também os líderes partidários, que não souberam puxar esta questão para o debate.

Se fosse uma discussão a sério sobre as eleições autárquicas a descentralização deveria ter sido discutida. É uma situação inexplicável. Os líderes dos partidos puxaram questões naiconais, como o rating, que nada têm a ver com as autárquicas."

A comentadora sublinhou que o projeto de lei do Governo sobre esta matéria prepara-se para ser aprovado na Assembleia da República quando ainda persistem "muitas duvidas sobre o que isto significa". Ferreira Leite deixou o alerta de que pode constitui um passo para a regionalização. 

Tenho receio que a descentralização seja um passo para a regionalização.”

A polémica sobre Tancos e o alegado relatório que o ministro da Defesa disse ter sido "fabricado" também mereceu o comentário de Ferreira Leite. A antiga ministra das Finanças frisou que "enquanto não houver documento oficial, os delíriros podem ser os máximos".

"Não há um relatório oficial, subscrito por algum responsável na matéria, que diga o que se passou e enquanto não houver isso os delríros podem ser os máximos."