Manuela Ferreira Leite afirmou, esta quinta-feira, na 21.ª Hora, que o Congresso do PSD, que arranca esta sexta-feira, deve legitimar o partido e a sua posição no panorama nacional. Para a comentadora da TVI é importante “que o PSD não se deixe acantonar ao rótulo de Direita” e consiga reposicionar-se.

O Congresso do PSD cujo título é "Social-Democracia Sempre" não terá, na opinião de Manuela Ferreira Leite, aparece ao acaso. “Surge pela necessidade de reafirmar o partido como social-democrata”, disse sublinhando que o PSD tem de adotar um discurso para se reposicionar e não se deixar “acantonar a um rótulo de direita” que tem “muita dificuldade de aceitar”.

O Partido Social-Democrata nunca foi um partido de Direita. Nesse aspeto, tenho muita pena que ele seja rotulado dessa forma”, disse.

Ferreira Leite acredita no OE2016 e critica posição do PSD na especialidade

Sobre a promulgação do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), a ex-Ministra das Finanças sublinhou que a decisão do Presidente da República era previsível e considera possível a execução do documento, com ressalva às previsões para a receita. “O OE é uma previsão e como tal só se saberá se corresponde a alguma realidade exequível ou não depois da sua execução”, disse.

Dentro do documento, Ferreira Leite faz sobressair duas questões que considera importantes e podem ditar o sucesso ou não do OE2016. A primeira diz respeito ao modelo adotado. Este “é um aspeto positivo” porque difere do último orçamento do Governo PSD-CDS/PP. “Com o outro modelo tínhamos a certeza do resultado, e vimos que não funciona, com este mantemo-nos na incerteza”, afirmou. Por outro lado, a comentadora TVI sublinha que já sempre o risco associado às previsões sobre o crescimento económico uma vez que este “não depende só das nossas políticas”.

A receita é aquilo que mais dificilmente conseguimos controlar porque depende de muitas coisas”, disse referindo-se às influências do caso dos refugiados ou do terrorismo na Europa.

A proposta de OE2016 foi aprovada na generalidade - com os votos favoráveis do PS, do Bloco de Esquerda (BE), do PCP e Partido Ecologista 'Os Verdes' (PEV), com a abstenção do PAN e com votos contra de PSD e CDS-PP. Manuela Ferreira Leite afirma compreender a posição adotada pelo partido e acrescenta que “seria incoerente se votassem a favor”. Mas a posição manteve-se na discussão na especialidade com os sociais-democratas a não apresentarem qualquer proposta de alteração. Aqui a antiga ministra das Finanças considera que o PSD “esteve mal” porque o maior partido da oposição “não pode deixar de intervir, seja pela crítica, seja pela demonstração de alternativa”.

Não há nada de novo no Plano Nacional de Reformas

A comentadora TVI falou ainda do Plano Nacional de Reformas apresentado na terça-feira. “É um proforma que se tem de apresentar em Bruxelas para nos candidatarmos a fundos comunitários”, esclareceu sublinhando que “não há nada de novo” neste tipo de documento.

Acho que as pessoas pensaram que aquilo é algo muito inovador mas no fundo é uma rotina” dos países durante o mês de abril, disse.

Sobre as medidas, Ferreira Leite admite que qualquer pessoa concorda com o que dizem e ressalva que o problema não são as medidas mas a “burocracia inacreditável” por detrás da atribuição dos fundos comunitários nomeadamente no financiamento das empresas.

O dinheiro pode ser muito útil se vier daqui a dois meses e poderá não ter interesse nenhum se vier daqui a um ano”, frisou.

Há feriados (des)necessários e salários precários

Manuel Ferreira Leite desvalorizou a reposição dos feriados extintos em 2012. Para a comentadora da TVI, seria mais benéfico haver um aumento dos salários dos portugueses a o combate à precariedade laboral. Por outro lado, a ex-Ministra das Finanças refere não saber da existência de qualquer estudo sobre o impacto económico da presença ou ausência dos feriados agora repostos.

Lesados do BES: memorando tem um “efeito político extremamente importante”

Sobre o conteúdo do memorando de entendimento assinado entre os lesados, o Governo, o Banco de Portugal, a CMVM e o BES pouco se sabe mas Ferreira Leite sublinha que a fotografia do momento é um marco importante para as entidades envolvidas na resolução do problema. A comentadora TVI afirma que o Governo provou que “não vira costas” e a CMVM aparece ao lado do Banco de Portugal e por isso “vão ter que se entender”. Tudo isto é importante e a fotografia simbólica, “apesar de não ter conteúdo, tem um efeito muito positivo”.

Vivemos um tempo diferente do ponto de vista da perceção da ação política para a qual vai contribuir a maneira de ser do Presidente da República”, concluiu acrescentando que o panorama político atual não é o mesmo que o anterior nem existem as mesmas pressões externas.