Manuela Ferreira Leite considera que, se o Estado ainda detivesse uma goldenshare na Portugal Telecom, o «descalabro financeiro» da empresa «provavelmente» não teria ocorrido. Por isso, a comentadora da TVI24 defende que este setor devia ter continuado sob controlo público.

«A PT é um exemplo triste de que sempre nos venderam a ideia de que tudo o que é privado é bom e tudo o que é público tudo é mau, mas há certos setores, como este, que tenho dúvidas acerca da não intervenção do Estado», começou por explicar.

«Quando a PT foi privatizada, ficou uma goldenshare, um conjunto pequeno de ações na mão do Estado, que eram decisivas na orientação estratégica da empresa. Provavelmente, os problemas de gestão na origem deste descalabro financeiro podiam não ter sucedido com a goldenshare», explicou.

Para a ex-líder social-democrata, «nos setores importantes da economia, é bom haver a possibilidade do Estado meter a mão na situação e meter ordem». «Este é um caso típico da ausência da possibilidade de ter uma intervenção», resumiu.

Ferreira Leite lembrou que foi a troika que incluiu no programa a venda das goldenshares da PT, Galp e EDP. «E não sei se foi esta a primeira medida ou das primeiras do Governo. No caso desta, está a provar-se que a intervenção do Estado não teria permitido determinado tipo de decisões», insistiu, criticando o facto de a goldenshare ter sido «quase oferecida».

Depois do exemplo da PT, Manuela Ferreira Leite pediu «bastante prudência» na venda da TAP e na privatização dos transportes públicos.