Manuela Ferreira Leite afirmou, esta quinta-feira, no programa “Política Mesmo” da TVI24, que “o que se está a passar na Autoridade Tributária é muito grave”. Para a comentadora da TVI24, que analisou o relatório da Inspeção-Geral das Finanças sobre o caso "lista VIP", os funcionários do Fisco fazem o que querem, sem terem “formação” ou “sensibilidade” para o exercício das suas funções.

“O relatório é perentório em dizer que os funcionários da Autoridade Tributária não têm orientações sobre os princípios aos quais se devem subordinar. Não existe cadeia hierárquica, não existe formação e um dos pontos mais sublinhados no relatório é a ausência de sensibilidade total, que ainda não foi transmitida aos funcionários, do que é desempenhar a autoridade.”


Uma situação que Ferreira Leite considera “muito grave”, sublinhando que os funcionários desta entidade “podem estragar a vida a qualquer pessoa”.

“Quando se tem poderes especiais tem de haver responsabilidades especiais e um princípio de ética nas funções que lhes são atribuídas. […] Os funcionários da Autoridade Tributária podem estragar a vida a uma pessoa.”


A comentadora da TVI24 aproveitou para comparar a situação do Fisco à da Segurança Social, que considera encontrar-se num modo de funcionamento “selvático”.

“A Segurança Social, não sendo nenhuma autoridade, está a funcionar praticamente da mesma forma, de uma forma absolutamente selvática.”

Sobre a recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, aprovada esta quinta-feira pelo Governo, a comentadora considera que o Executivo de Passos Coelho devia ter consultado o maior partido da oposição. Palavras que surgem depois de o líder do PS, António Costa, ter confirmado que os socialistas não foram consultados sobre esta matéria.

“Acho que a consulta ao maior partido da oposição era não só natural como quase exigível, apesar de não ser obrigatória.”


Ferreira Leite deixou ainda duras críticas ao Governo e particularmente à ministra das Finanças, a propósito da questão da sustentabilidade da Segurança Social e das declarações da governante sobre a possibilidade de haver novos cortes nas pensões em pagamento. A comentadora não tem dúvidas: para o Governo tudo tem solução, menos as pensões.

“Aquilo que mais se vê é o Governo a tentar dar esperança às pessoas e visão de futuro. Tudo vai melhorar, a única coisa que não tem solução é as pensões.”