No comentário semanal na 21.ª hora, Manuela Ferreira Leite falou sobre as negociações que o Governo tem tido com os professores e sobre a nova lei de bases da saúde que é pretendida.

Manuela Ferreira Leite sublinha que este Governo inverteu o rumo que o país levava, mas não está contente com a atualidade: "Não vejo nem preocupação, nem balanço, nem projeto para o futuro do país. A situação em que o país se encontra é melhor e houve progressos em relação à altura em que este governo tomou posse, mas reafirmo e começo a confirmar que só isto não chega. A questão eurpopeia foi resolvida com credibilidade e tudo mais, mas não chega. Para isto ter sustentabilidade não é só corrigir algumas medidas, mas sim criar lastro e tomar medidas para isto ter sequência e continuarmos a crescer."

A ex-Ministra das Finanças identifica os três setores que precisam de "reformas estruturais": saúde, educação e segurança social.

Manuela Ferreira Leite criticou os dois projetos que existem para a nova lei de bases da saúde.

O governo criou uma comissão para a nova lei de bases. Se acho importante? Sim, acho muito importante. Mas simultaneamente a essa comissão, aparece o BE com um projeto, em que tem colaborado o João Semedo. Ou seja, podiam ter discutido nos bastidores, já que são parceiros do Governo e aparecia apenas uma proposta. Agora ainda temos de arranjar consenso. Não se percebe porque não conversam, há ideia de pressão política, de aparecer para dizer que quem apareceu primeiro fui eu."

E deixa críticas à proposta do Bloco: "A proposta do BE fica marcada por não querer nada com o setor privado. A outra penso que não corta com a intervenção do poder público-privado. Parecem-me projetos antagónicos."

A comentadora da TVI atacou também o Governo devido à redução horária, para 35 horas semanais, na saúde. 

Não me tinha ocorrido que fosse possível adotar as 35 horas e não haver encargos orçamentais, porque não aumentaram o número de pessoas no SNS. A falta de recursos humanos ficou agravada por não entrar ninguém. Só pode haver carência."

Por fim comentou a greve dos professores e as negociações entre sindicatos e Governo.

Governo sabe desde o primeiro dia que não pode pagar o que estão a pedir. Pergunto se o país enriqueceu de tal forma para poder pagar isto? Uma parte está a pedir algo que sabe que a outra parte não pode dar. A única parte clara foi o primeiro-ministro que disse que não há dinheiro. O país não deixou de ficar pobre pelo facto de ter melhorado. A greve tem um sentido demasiado sério para ser usada como chantagem. E mesmo que houvesse dinheiro para os professores, isso traria um problema de arrastamento a outros setores que não podia deixar de ser considerado."