Manuela Ferreira Leite antecipa que o adiamento da venda Novo Banco vai ter efeitos reais no défice de 2015 e representa “um risco enorme”. A comentadora diz mesmo que não percebe “como é possível manter o défice abaixo dos 3%” (a meta do Governo para o défice de 2015 é de 2,7%).

No programa “ Política Mesmo”, da TVI24, Ferreira Leite realça, no entanto, que este impacto do Novo Banco só será confirmado no início de 2016, e que já não terá, obviamente, efeitos nesta campanha eleitoral.

As críticas seguem tanto para o PS como para a coligação, para a argumentação em torno dos números do défice, que, segundo o INE, foi de 7,2% em 2014 e no primeiro semestre deste ano cifrou-se em 4,7%.

“O PS disse uma coisa extraordinária, que o défice não implica em nada as contas que tinham feito no sue programa económico. Não consigo perceber como não tem. O programa socialista é sério, mas Costa não pode criticar e depois dizer que não tem efeito nenhum nas minhas contas”


Ferreira Leite criticou ainda o argumento de Passos Coelho, que enalteceu o encaixe que o Estado tem com os juros resultantes do adiamento da venda do Novo Banco:

“É absolutamente desajustado à situação, não tem fundamento. O Estado está a receber juros de um empréstimo que esta a pagar juros”.

A comentadora dá razão a Passos Coelho, quando disse que o efeito no défice de 2014 é “meramente contabilístico”.

“O dinheiro do Fundo de Resolução já estava registado na dívida, porque fazia parte do empréstimo que foi feito na altura da troika. Mas como em 2014 o dinheiro que estava ali por empréstimo saiu deste bolo e entrou noutro e não foi recuperado em 2014, vou ter de registar a saída, mas não tem efetivamente implicações reais na divida e no défice”.

 
“Prefiro Tsipras ao presidente húngaro”


Numa alusão à vitória de Tsipras (e do Syriza) nas eleições gregas do passado domingo, Manuela Ferreira Leite considera que o povo grego disse à Europa que segue a política imposta, mas que o governo foi escolhido por eles.
“Não olho com antipatia o resultado na Grécia”, sublinha, acrescentando que prefere Tsipras ao presidente húngaro.

“Os radicalismos começam a surgir. A construção do muro na Hungria é de tal forma chocante. E espanta-me que ninguém o critique, tenho a sensação que o Syriza está mais na boca do mundo. O presidente da Hungria representa aquilo que não é o ideal europeu”