Manuela Ferreira Leite olha para a mudança da sede do Infarmed de Lisboa para o Porto como uma decisão que foi tomada durante um mau acordar.

É uma decisão que eu nem sequer direi que foi tomada durante uma noite de insónia, porque a noite de insónia ainda são ali umas tantas horas em que a pessoa pensa e toma umas decisões. É durante um momento em que acordou, passou-lhe aquela pela cabeça e disse aquilo de manhã a um órgão de comunicação social, se calhar até antes de dizer ao primeiro-ministro.”

A comentadora da TVI24 considerou, esta quinta-feira, que é assustador “que se possa pensar tomar uma decisão, seja ela qual for, sem um plano, sem um projeto, sem uma orientação, sem um objetivo.”

Isso é que é assustador. (…) Foi um mau acordar.”

No seu espaço de comentário semanal na 21.ª Hora, Ferreira Leite falou ainda sobre a questão do congelamento das carreiras dos professores, frisando que é "uma fantasia" achar que se pode voltar à situação que existia antes da intervenção da troika. A antiga ministra das Finanças diz que o país está melhor, mas ainda "em convalescença".

Há dois pontos que é preciso as pessoas meterem na cabeça: o ponto número um é que estamos melhor, mas estamos em convalescença e, em segundo lugar, temos cicatrizes que não saram. Nós querermos a fantasia de exigirmos as medidas necessárias para ficarmos exatamente na mesma posição em que estávamos antes da crise é uma fantasia e essa fantasia e ilusão é criada por alguém e isso é inaceitável.”

A social-democrata foi mais longe, acusando o Governo de alimentar essa “ilusão”, algo que diz ser "inaceitável".

Em vez de se dizer ‘vamos negociar’, porque o ‘vamos negociar’ é criar a ilusão de que através de greves e pressões isso é tema para ser negociado, quem cria essa ilusão devia dizer ‘podemos negocia, mas não isto, isto é inegociável’.”

De resto, Ferreira Leite sublinhou que o país tem neste momento novas prioridades, como os incêndios, o correspondente desenvolvimento do interior do país, e a seca.

Estamos com novas prioridades e estamos com um ambiente externo provavelmente a piorar e continuamos a discutir o que já não é prioridade quando estamos em convalescença."

A comentadora da TVI24 lembrou que o Orçamento do Estado de 2018 entrou na Assembleia da República "desatualizado" - pois foi entregue no Parlamento dois dias antes dos grandes fogos de outubro - e não acredita que tenha havido "um ajustamento coerente e equilibrado" na especialidade quando cerca de 600 propostas foram votadas em apenas três dias.

Acredito pouco que haja qualquer coisa de possível coerência, um ajustamento corente e equilibrado, quando estamos a falar de umas 600 propostas para serem votadas em três dias."