Manuela Ferreira Leite elogiou as propostas do ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, de indexar a dívida ao crescimento e de troca de dívida por obrigações perpétuas.

«Acho uma boa ideia (…) Seria uma boa forma de todos os países se solidarizarem e interessarem pelo crescimento destes países. Neste momento, não estão nada interessados que a Grécia ou Portugal cresçam ou não cresçam. O que eles querem é o seu dinheirinho, com razão. Mas seria bom que pensassem que o seu dinheirinho chegaria se esses países crescessem… Mas acho mais interessante ainda a questão da dívida perpétua».


A comentadora da TVI24 considera que a «grande contribuição da Grécia» nesta altura, da qual «todos poderão beneficiar», incluindo Portugal, é que até aqui «ninguém discutia as linhas orientadoras para os países em dificuldades».

«A discussão deixou de ser técnica, passou a ser política. Esse contributo dado pela Grécia não é para recuar, é para manter (…) Nós temos essa experiencia da discussão com a troika, que era pura e simplesmente técnica. Mas depois vinham dirigentes dessas instituições dizer coisas diferentes».


Manuela Ferreira Leite destacou que Portugal pode «beneficiar» do que o governo grego está a fazer, uma vez que «a solução que surgir para a Grécia será considerada europeia».

Sobre as negociações que decorrem entre o governo grego e as instituições europeias, Ferreira Leite avisou que «seria ilusório pensar-se que esta situação se ia resolver do dia para a noite».

Para a ex-líder do PSD, a «verdadeira negociação não vai ser feita aos microfones» e nem o ministro grego, nem os líderes europeus «podem dizer publicamente» o que estão a conversar.

«Se houvesse uma rutura com a Grécia, poderia ser um caminho para o fim do projeto europeu».


Ferreira Leite avisou ainda que, se a Europa deixar cair a Grécia «por motivos fantasmagóricos», esta «não vai ficar sozinha», mas terá a ajuda da Rússia.