Manuela Ferreira Leite mostrou-se contra a possibilidade de o PSD vir a ceder um dos seus três lugares no Conselho de Estado ao CDS, uma vez que este apenas o quarto partido com maior representação parlamentar.

A comentadora da TVI referia-se à recente polémica entre o Partido Socialista e o PSD em relação ao número de lugares que serão, por norma, ocupados por este último no Conselho de Estado, e que o PS diz não representarem a nova maioria parlamentar.

No seu comentário semanal, no programa “Política Mesmo”, a ex-presidente do PSD considerou que, com o PS no Governo já “é o momento” de PSD e CDS seguirem cada um o seu caminho, e que o partido liderado por Passos Coelho não tem razões para abdicar de um lugar que pertence ao PSD.

“É possível. Se deve [ser feito], pessoalmente estaria totalmente desacordo. Em primeiro lugar acho que já é o momento de o PSD e o CDS se separarem, cada um siga o seu caminho. (…) Veria isso com bons olhos, efetivamente são todos muito simpáticos, mas ‘amigos, amigos, negócios à parte’. Por outro lado, isso daria justificação [a todas as questões que o PS levanta]. Se o CDS fosse eleito para o Conselho de Estado, sendo o quarto partido mais votado na Assembleia, então o que vamos dizer ao segundo e ao terceiro? Aí obviamente que o Bloco de Esquerda diz: ‘Antes do CDS entro eu’”.


Manuela Ferreira Leite comentou, também, outro dos temas na ordem do dia: o aumento do salário mínimo nacional (SMN). Apesar de considerar que o SMN é demasiado baixo, a comentadora da TVI lançou críticas à CGTP por criar expectativas nos trabalhadores, em relação à possibilidade de um aumento para 600 euros, já em 2016.

“Não acho correto que se fale tanto nos 600 euros. Pode-se estar a criar expectativas nos trabalhadores que evidentemente não podem, nunca, ser concretizadas e a CGTP sabe melhor isso que do que qualquer um de nós. Bater-se pelos 600 euros já em 2016 é algo que não é exequível.”

Porém, mesmo que fosse “exequível”, a ex-presidente do PSD não acredita que a CGTP fosse assinar um acordo com o Governo.

“A CGTP nunca na vida assinou nenhum acordo. Nunca. (…) E tenho um pouco a sensação que, se por algum motivo da concertação social saísse a decisão que o [salário mínimo ia aumentar para 600 euros] já no dia 1 de janeiro, a CGTP não teria grandes formas de dizer que não assinava um acordo, mas no momento em que o fosse assinar faltava-lhe a tinta da caneta."


Ainda que compreenda a necessidade de um aumento substancial para as famílias que dependem de salários ao nível do SMN, Manuela Ferreira Leite lembrou o que aconteceu com o IVA da restauração, que obrigou empresas a fechar por ter encurtado os lucros. Para a comentadora, algo similar aconteceria nas empresas que menos possibilidades têm para aumentar salários.

“A grande maioria delas não conseguiria aguentar esse acréscimo de custos”.