Manuela Ferreira Leite considera que a greve dos pilotos da TAP não ocorre apenas “por culpa de um setor” e critica o “único acionista da empresa”, ou seja, o Estado, por não ter conseguido chegar “a um qualquer entendimento”. As declarações de Ferreira Leite foram feitas esta quinta-feira na TVI24.

 “Há uma posição de irracionalidade das duas partes. […] Não consigo perceber o facto de haver um acionista único que não conseguiu chegar a um qualquer entendimento. O acionista único devia ter conseguido evitar esta situação de alguma forma.”


A comentadora da TVI24 sublinhou o facto de se tratar de uma greve que tem “uma dimensão devastadora”, não só para a empresa, mas também para a economia nacional e que, por isso, o Governo, “ao fim de tanto tempo de negociação”, deveria ter feito mais para chegar a uma hipótese de entendimento com os pilotos.
 

“O que me perece irracional é que, sendo um problema desta dimensão, uma companhia com valor estratégico nacional, que todos os portugueses gostam, que assiste a uma competição, como é que é possível que não tenha havido uma hipótese de ponto de encontro? É uma irracionalidade total.”



Além da greve dos pilotos, outro dos assuntos comentados por Ferreira Leite foi o desafio do PSD ao PS - os sociais-democratas pediram aos socialistas para submeterem o seu cenário macroeconómico a uma avaliação da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO). A comentadora confessou que ficou “escandalizada” com a proposta social-democrata.

“Há muito tempo que não me escandalizava tanto com uma proposta destas. É preciso ter-se perdido completamente a noção do que é a administração pública, os órgãos públicos, o Governo e os partidos.”


Para Ferreira Leite “os partidos não podem dispor dos serviços técnicos do estado”.

Já sobre o anúncio da coligação PSD/CDS para as legislativas, a comentadora admite que, como “laranjinha” tem pena que o PSD não vá sozinho. Porém, compreende e aceita a decisão.

“Tenho pena que o PSD não vá sozinho, mas compreendo e aceito que vão em coligação pela simples razão de as eleições serem o julgamento de quem esteve no Governo. Para o bem e para o mal, estiveram juntos e, para o bem e para o mal, devem dividir responsabilidades.”