Manuela Ferreira Leite considera que as propostas apresentadas até aqui quer pela coligação quer pelo PS são "vagas" e que as pessoas não vão votar "em coisas que não dizem nada". Para a comentadora da TVI24, uma das propostas apresentadas pela coligação, a de inscrever um valor máximo de dívida pública na Constituição, "é uma alucinação". 

"Acho que é uma ideia absolutamente alucinada. É uma alucinação. Querem criar uma norma que não vai ser possível de cumprir nos próximos 30 anos. Só isto é uma ideia absurda."

Sobre o tema que esteve esta quinta-feira na ordem do dia, a privatização da TAP, Ferreira Leite afirmou que uma discussão mais aprofundada implica conhecer o contrato com mais "pormenor". No entanto, confessou que ficou desagradada com o facto de o processo ter sido concluído com uma "noitada".

"Há um aspeto que me desagradou: que a decisão tivesse sido tomada com base numa noitada. É algo que não cai bem."

A comentadora da TVI24 afirmou ainda que dada a decisão "apressada", este processo "não tem margem" para falhas. "Não há desculpas nem perdão possível", reiterou, acrescentando que espera "que tudo corra bem".

A propósito das eleições legislativas, Ferreira Leite afirmou que "vai ser difícil haver uma maioria absoluta" e que, foi neste contexto,que o Presidente da República fez um apelo, no discurso do 10 de junho, para a importância de haver "estabilidade política".

O discurso de Cavaco Silva foi, para a comentadora, "absolutamente coerente". Já o comentário de António Costa às palavras do chefe de Estado nas comemorações do Dia de Portugal é que foi "infeliz". Recorde-se que o secretário-geral do PS afirmou que o Presidente da República podia ficar tranquilo porque, à medida que se vão aproximando as eleições, o “desânimo e o pessimismo” vão dando lugar à “confiança”.

"António Costa foi infeliz no comentário que fez. Acho que antes do discurso António Costa já tinha em mente o que ia dizer. Acho que neste momento não teve qualquer espécie de razão."


E sublinhou que o líder socialista se propõe a fazer tudo o que a coligação também propõe, só que mais rápido.

"Ele não diverge da coligação, promete é que faz mais depressa."