Manuela Ferreira Leite desvalorizou esta quinta-feira, na 21ª Hora, as previsões de primavera divulgadas pela Comissão Europeia, considerando que os problemas da Europa "não são as décimas a mais ou a menos", mas "o desemprego, a deflação, o não crescimento económico e tratados negociados em segredo", referindo-se às negociações para um acordo comercial entre a Europa e os Estados Unidos, conhecido como TTIP.

"A Europa está com um crescimento anémico, há perigo de deflação e andamos todos preocupados em saber se há mais uma décima ou menos uma décima. Custa-me a crer que as preocupações da União Europeia possam ser isto. O problema da Europa é o desemprego, é a deflação, é o não crescimento económico, são os tratados que andam a ser negociados nas nossas costas e em segredo." 

Por isso, a comentadora diz que discutir "a décima de Portugal" a deixa "perplexa e desanimada".

 "Andamos a discutir migalhas e a faltar-nos o pão."

A Educação foi outro dos temas em destaque esta quinta-feira. Ferreira Leite arrasou a medida que o Governo pretende aplicar e que tem a ver com a possibilidade de os estabelecimentos de ensino escolherem 25% do currículo do aluno, criando disciplinas ou reforçando matérias. A comentadora afirmou que a medida revela "insensatez" e que "vai pôr tudo em causa".

"É insensato na medida em que a única coisa que faz é dizer 'vamos fazer outra experiência, vamos entrar em discussão'. (...) Vai pôr tudo em causa."

A social-democrata frisou que o ministério de Tiago Brandão Rodrigues não apresentou qualquer análise ou avaliação que sustentem a viabilidade da "experiência". 

"[O ministro] Não apresenta nenhuma avaliação de como correu esta experiência. Não há nenhuma análise feita sobre como é que foram os resultados dessa experiência e o ministro não se atreve a dizer que é bom ou mau."

Ferreira Leite notou ainda que a ideia de flexibilidade dos currículos não é nova e já é aplicada em algumas escolas, só que considerando o Português e a Matemática como disciplinas pilares. 

"O ministro da Educação não pode ou não deve dizer que afinal o Português e a Matemática já não são fundamentais."

A comentadora da TVI olha para esta medida como uma "pancadinha na escola pública" que "lança frustração nos professores e uma certa leviandade na cabeça dos alunos".