Manuela Ferreira Leite criticou os partidos por quererem “tirar proveito” da discussão sobre os incêndios, em vez de tentarem chegar a um “consenso” sobre as reformas a adotar para evitar mais tragédias como a de Pedrógão Grande.

“Dá a sensação que cada uma das partes envolvidas nas discussões está a querer tirar dividendos políticos de uma desgraça. Dá a sensação que não há aspeto construtivo, mas serve apenas para tirar proveito político.”

A comentadora da TVI24 acusou Governo e oposição de entrarem “no passa-culpas”, em vez de “corrigir” os problemas que poderão ter estado na origem deste e de outros fogos. Para isso, preferia um “consenso”, em vez de “cada um estar a puxar para o seu lado”.

Para Ferreira Leite, a discussão está a ser feita “na base da agressividade e da luta política”, em vez de se aproveitar “o momento mais adequado para que todos se sentassem a uma mesa e, sem ser aos gritos, tentassem ajustar-se para um plano com medidas de fundo”.

A ex-ministra comentava assim os dois debates que ocorreram quarta e quinta-feira no Parlamento, com o incêndio de Pedrógão Grande no centro das intervenções.

“O que mais me impressionou foi o nível de decibéis utilizado, que é inusitado nesta situação. Não nos transmitem a confiança de que o assunto vai ser resolvido. Se esta situação dá dividendos políticos, é evidente que ninguém quer chegar a acordo.”

Ferreira Leite considerou ainda que “há muitas ideias e projetos” sobre a reorganização florestal, “mas há falta de atuação”. E a culpa não é deste ou de outro Governo, deste ou de outro partido: “Os erros são de todos.”

Abordando a proposta de lei do Governo sobre a reforma florestal que deu entrada na Assembleia da República, e que terá de ser debatida e votada até 19 de julho, a social-democrata também criticou os deputados que desejam ouvir 46 entidades e “refletir” e “alterar a proposta” em tão pouco tempo: “Se isso acontecer em 15 dias, é teatro. Tudo está transformado em dividendo político.”

Manuela Ferreira Leite afirmou ainda que a demissão da ministra da Administração Interna não resolveria o problema e que, a curto prazo, espera ver resultados na zona de Pedrógão Grande.

“Temos a obrigação de ir lá ver o que aconteceu àquelas pessoas, se está tudo na mesma, o que aconteceu aos fundos angariados para as ajudar, nomeadamente ao recurso a fundos europeus para este tipo de calamidades, o que aconteceu à intervenção do próprio Estado. E aí, sim, deve haver uma responsabilidade política.”