O comentário semanal de Manuela Ferreira Leite voltou esta quinta-feira e o foco central da conversa com José Alberto Carvalho esteve em Rui Rio e Santana Lopes.

A comentadora não entende as críticas que são feitas ao líder do PSD por falar pouco ou não ser muito crítico com o Governo.

Portugueses cristalizaram numa forma de política que não admite nuances, é tudo muito expectável. Acham que quando estamos contra, na oposição, temos de falar alto, senão não é oposição. Temos de estar sempre contra e falar muito com a comunicação social. Rui Rio neste mês não falou, mas eu não retive alguma coisa que tenha tido impacto na nossa vida por parte da oposição, neste caso do CDS. Tanto faz falar como estar calado. Na minha altura fui criticada mais ou menos pelo mesmo."

E ao elogiar Rio, Manuela Ferreira Leite atacou o Bloco de Esquerda.

Quando aparece uma pessoa com um estilo completamente diferente, a tendência seria para dar benefício da dúvida. Há um ponto que ninguém discute, que ele é uma pessoa muitíssimo séria, conhecedora, muito competente, trabalhadora, dedicada. Ninguém discute isso, o que se discute é que fala baixo, não grita tanto, se fala pouco e que às vezes assina acordos com o PS. Não nos esqueçamos que ele assina como assinam o BE e o PCP, mas com uma diferença, é que esse acordos com o PSD senão forem cumpridos serão um grande sarilho para o PS. Senão cumpre, como não cumpre a maioria das vezes com os partidos que o apoia, eles ficam calados. Pior, o BE é absolutamente cúmplice com a violação das promessas que conjuntamente faz com o governo."

Manuela Ferreira Leite falou também da formação das listas para as eleições europeias e legislativas.

A fechar, a comentadora refere que não entende a saída de Santana Lopes do PSD para criar outro partido, o "Aliança".

Tenho dificuldade em comentar porque custa-me a perceber que alguém que era uma referência, o 'enfant terrible' do partido, que sem se perceber porquê sai do partido e está a tentar fundar outro. Não há problema de natureza ideológica, não foi por evolução na sua ideologia que ele achou que o PSD já não lhe serve. Ele dois meses antes tinha concorrido à liderança do partido, defendendo as ideias do PSD ou PPD-PSD, como ele gosta de dizer, o que torna tudo pior porque ainda é mais específico. Ele não ganhou, mas fez acordo com o Rui Rio, as listas e órgãos foram constituídas com as suas pessoas, a última coisa que me passaria pela cabeça era que pudesse sair do partido, onde era acarinhado."

Manuela Ferreira diz que a motivação tem de ser "pessoal" e diz que Santana nunca será um "Macron".

Não se explica por nada a não ser algo pessoal. Não foi por natureza ideológica, porque não o demonstrou, e, por outro lado, se alguma coisa de novidade aparecer no nosso sistema político, estamos sempre à espera de um Macron desta vida, era preciso exatamente alguém que fosse conhecido por não ser político. O Santana Lopes é conhecido por só ter feito política e não tem a característica de novidade e de um ataque que lhe desse ideologia diferente. No caso dele, a última coisa que me lembraria era de criar uma coisa que toda gente está farta e que toda gente acha que é igual."