Durante muitos anos, dizia a mim própria : tenho que ser grande. Ser grande era um exercício de superação, de crescimento por meios próprios, sem influências ou ajudas. Ser grande era estudar, encarar a vida com espírito de sacrifício e louvor pelo trabalho. Ser grande era acreditar.

Anos mais tarde, repeti até à exaustão, noutras circunstâncias da vida , a mesma expressão que de menina me tinha feito mulher. “ Tens que ser grande “. Ser grande era conseguir um muito bom ou excelente, as balizas que tinham guiado a minha infância e adolescência. Era conseguir. Alcançar. Vencer. Sem atropelos. Ter mérito. Oh, que palavra ignorada tantas vezes porque atropelada pelos mais fortes, mas não necessariamente pelos melhores.

É duro ser “grande “. É exigente. Não permite o fracasso. Impôe-nos esforço. Imunidade à maledicência e à inveja, esse sentimento tão portugûes que tantas vezes nos pôs à prova ao longo da história e determina as nossas relações sociais e a nossa pessoalidade. Quando  somos grandes, uns admiram-nos ; outros criticam-nos ou censuram os nossos actos e palavras.

É difícil acompanhar os grandes e, por isso, os grandes experimentam tanto a solidão, num silêncio íntimo.

Em França, a selecção nacional e o seu líder Fernando Santos, foram Grandes.Carregavam a experança de um país e de uma diáspora. As cores de uma bandeira têm esse poder : elevar o espírito de milhões, numa comunhão de afectos e de alegria que não olha a ricos, pobres, pequenos, adultos, iletrados ou alfabetizados.

O futebol tem esse dom de agregar emoções. Não há corações que vibram. Há um Grande coração. É nosso.