Constança Cunha e Sá considera que a gestão que António Costa tem feito em relação à prisão preventiva do ex-primeiro-ministro José Sócrates “vai sair cara” ao Partido Socialista, porque o desenvolvimento do caso tem tudo para correr mal, quer a acusação apresentada pelo Ministério Público seja forte, ou, pelo contrário, quer não se consiga provar nada.

“Ou o Ministério Público apresenta uma acusação forte e isso põe em causa o Governo dele [José Sócrates] e tem consequências políticas e o PS perde com isso, ou então a acusação é fraca, não consegue provar nada e consegue transformar José Sócrates num mártir e o PS num partido hipócrita que não conseguiu defender um dos seus ex-lideres na altura em que ele mais precisava.”


A comentadora da TVI, afirmou, em declarações no Jornal da Uma, esta terça-feira, que percebe o discurso do líder socialista quando este tenta fazer uma separação entre as matérias que pertencem ao domínio da Justiça e as que pertencem ao quadro político. Contudo, não compreende “outros silêncios” de António Costa, sublinhando que o secretário-geral do PS não se pronunciou sobre a violação do segredo de Justiça.

"É evidente que há uma contaminação e não é por acaso que na última convenção do PS onde se discutiu o programa eleitoral  não houve uma palavra sobre o Governo de Sócrates, falou-se no de António Guterres, mas nem uma palavra sobre o de Sócrates. [...] António Costa também nunca se referiu à violação do segredo de Justiça."

Constança Cunha e Sá comentou a entrevista do ex-primeiro-ministro à TSF e ao "Diário de Notícias", divulgada esta terça-feira, onde José Sócrates diz que a sua prisão tem como intenção impedir o PS de vencer as legislativas. 

Pela primeira fala diretamente do PS e diz que é a Justiça que está a jogar com os objetivos políticos."