O advogado José Miguel Júdice considera que é preciso arranjar forma de proteger os dados de todos os contribuintes portugueses, não só dos políticos, porque vão sempre existir cidadãos que procuram prejudicar outros tendo por base este tipo de informações.

No programa «Política Mesmo» da TVI24, José Miguel Júdice referiu-se à polémica da «lista VIP», e comparou os acessos feitos por funcionários da AT, e outros cidadãos, a dados de contribuintes, à época pós 28 de setembro de 1974, quando se denunciavam «comunistas».

«Quando a seguir ao 28 de setembro fui preso, fui para a uma cela onde estavam bastantes pessoas de topo da PIDE, e foi-me dito, não sei se é verdade, que se tivéssemos prendido todas as pessoas que eram denunciadas como comunistas, tínhamos prendido metade do país, porque cada vez que alguém se queria vingar de alguém dizia que eram comunistas. Esta mentalidade é a mesma que está por detrás do ir à procura de informações».


O advogado continua e diz que esta é a própria natureza humana, a razão para as revistas cor-de-rosa terem saída nas bancas, e que é preciso «fazer tudo» para evitar estes acessos.

«Alguém dizia, e com muita razão, há dias [que além dos políticos] também o “Joaquim dos Anzóis", [se trabalha nas finanças e desconfia que a mulher] o anda a enganar com o Manuel das Carpas, vai ver como é que o pode lixar. Acho que deve haver proteção desses dados. (…) Por que é que há revistas de mexericos? Porque há pessoas que compram aquilo. A alma humana é assim, não tem só coisas boas, [e] tem de se fazer tudo para evitar [os acessos]».