Medina Carreira analisou, esta segunda-feira, o sistema de pensões em Portugal. No programa “Olhos nos Olhos”, o comentador da TVI24 afirmou que o debate público sobre as pensões "é uma trafulhice" uma vez que ninguém explica aos pensionistas atuais e futuros o que vai acontecer e que é ainda importante saber “o que é que este governo pensa e o que é que o PS pensa” sobre o sistema.

“O PS diz que vai manter as pensões em pagamento. Eu não sei o que é isto”, afirmou Medina Carreira, acrescentando que o objetivo do programa programa dos socialistas é "convencer os portugueses de que isto é assim porque mais do que isso não é possível neste momento".

O comentador da TVI disse ainda não perceber se “os que recebem vão continuar a receber” e quais serão “as contas” a fazer para aqueles que se reformarem “daqui a um ano ou dois”.

“Não há uma mexida do sistema de pensões? Quer dizer, as pensões em pagamento, aquelas que estão a ser pagas com os cálculos que são feitos, mas as de amanhã já não são a mesma coisa?”, afirmou o comentador.


Presente no programa desta segunda-feira, Jorge Bravo, professor da Universidade Nova, explicou que as medidas previstas no programa eleitoral do PS vão prolongar os seis anos de congelamento, com exceção das pensões mínimas.

“Tanto quanto se sabe, do programa eleitoral do PS, a proposta implica um congelamento nominal das pensões e isso significa perda real do poder de compra”.

Para Jorge Bravo, o programa do PS “não é claro” porque permite duas interpretações. O professor da Universidade Nova deixou ainda o aviso de que estas medidas estão a enviar um "sinal" aos atuais contribuintes de que " não vale a pena" contribuírem "muito" porque no limite correm "o risco" de não ter pensão.

 “O congelamento nominal das pensões significa, em termos de acumulados, no final da legislatura, qualquer coisa entre seis e sete por cento, que é a inflação prevista, em cima dos atuais 8,5% dos últimos seis anos. E isso levanta outra questão: é legítimo que pessoas que contribuíram durante muitos anos e contribuíram muito mais do que outros que hoje recebem pensões, vejam as suas pensões reais sejam depauperadas ano após ano, convergindo para quem descontou muito pouco durante toda a sua vida?”, afirmou, acrescentando que os pensionistas não se devem “resignar”.