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João Pereira Coutinho e a polémica circuncisão

Comentário na TVI24 sobre um tribunal alemão que proibiu a circuncisão, intrometendo-se na educação religiosa

Por: Redacção / PO    |   2012-07-14 01:35

O comentário de João Pereira Coutinho na 25ª Hora, da TVI24, destacou esta sexta-feira a decisão de um tribunal alemão, que decidiu proibir a circuncisão por considerá-la um atentado à integridade física das crianças em nome da religião dos pais.

A decisão do tribunal resultou de um caso em que houve negligência médica.

O caso suscitou protestos de judaicos e muçulmanos, que se juntaram em protestos contra o que consideraram ser «um ataque à liberdade religiosa e, no caso dos judeus, um acto de perseguição comparável aos primeiros tempos do nacional-socialismo».

Pereira Coutinho destaca uma afirmação de uma rabino sobre a polémica: «Se a decisão fizer doutrina, a vida judaica não poderá continuar na Alemanha».

«Confrontados com esta polémica, nem vale a pena perder demasiado tempo com as considerações científicas sobre a circuncisão: na literatura médica, a operação, quando feita por mãos especializadas, é considerada segura, para não dizer rotineira. E existem vários estudos que apontam mesmo para as vantagens da circuncisão, por exemplo, na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Só por ignorância, ou má-fé, é possível comparar a circuncisão à excisão genital feminina - um acto bárbaro e punitivo destinado a impedir o prazer sexual da mulher mutilada», defende.

Para João Pereira Coutinho, o que está em causa é um problema político. «Se entendermos que os tribunais devem interferir na educação religiosa dos filhos, é difícil saber onde parar».

O comentador considera que este pode ser um caminho muito perigoso a seguir. «No limite, estas sucessivas intromissões na forma como os pais educam os filhos levaria apenas à construção do tipo de Estado autoritário (e mesmo totalitário) que Platão descreveu metaforicamente na sua República: uma comunidade onde os filhos são retirados às famílias para serem educados pelo Estado. Pessoalmente, não conheço pior forma de mutilação para a integridade de qualquer criança».

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