logotipo tvi24

«Massacres nos EUA fazem lembrar incêndios em Portugal»

A crónica de João Pereira Coutinho

Por: tvi24 / FC    |   2012-07-21 00:52

Massacres com armas nos Estados Unidos fazem lembrar os incêndios em Portugal. Sazonalmente, as desgraças acontecem ¿ e depois vemos especialistas, nos dias seguintes, a debitar teses estafadas sobre a falta de meios ou a limpeza das matas.

Foi o que sucedeu nos Estados Unidos: um tresloucado entrou num cinema de Denver, matou 12 pessoas, feriu mais de 50 ¿ e imediatamente saltaram para as primeiras páginas as teses conhecidas: os Estados Unidos não têm controlo sobre as suas armas e Hollywood, ao promover filmes violentos, apenas gera este tipo de violência.

Curiosamente, estas duas teses só se aplicam aos Estados Unidos: quando, recentemente, um psicopata abateu 77 pessoas na Noruega, ninguém se lembrou de olhar para a venda de armas no país (que não é propriamente livre) ou para os filmes que os noruegueses consomem. Parece que, se existe uma cultura doentia, ela só pode mesmo ser a americana.

Infelizmente, nenhum dos argumentos sobrevive à realidade. Em primeiro lugar, ainda está por mostrar uma relação consequente entre uma elevada posse de armas e um aumento no número de homicídios. Apenas um exemplo: a Suíça, país onde praticamente existe uma arma em cada casa, tem das mais baixas taxas de homicídio do mundo. E para ficarmos apenas nos Estados Unidos, é surpreendente verificar que os estados com legislação mais rigorosa na venda de armas são, por vezes, aqueles que apresentam um maior número de homicídios. Washington é um bom exemplo.

E se assim é com a posse armas, assim será com a cultura de violência promovida pelo cinema ou pela televisão. Nenhum estudo científico estabeleceu até hoje uma relação também consequente entre filmes violentos e comportamentos igualmente violentos.

A única coisa que sabemos, olhando para a história e sobretudo para a história do crime no Ocidente, é que o mundo pré-televisivo e pré-cinematográfico era incomparavelmente mais violento do que mundo de hoje.

Moral da história? A forma como nos agarramos a argumentos gastos para explicar o inexplicável revela apenas o sentimento de vulnerabilidade que sentimos perante este tipo de tragédias. É por isso que cultivamos a ideia simpática, porém primitiva, de que proibindo todas as armas e proibindo todos os filmes violentos, estes massacres de inocentes acabarão desaparecer do radar. Trata-se de uma pura ilusão. Psicopatas isolados e armados sempre existirão, independentemente das restrições a armas ou a filmes. E a única coisa a esperar, por irónico que pareça, é que no momento em que alguém usa uma arma para matar terceiros, exista também outra arma, de preferência legítima, para o parar.

Partilhar
EM BAIXO: João Pereira Coutinho
João Pereira Coutinho

«Ordem de trabalho do Conselho de Estado seria interessante para tertúlia»
Comentário de António Filipe no programa Política Mesmo, na TVI24
«Não poderia aceitar a adoção plena e votaria contra»
Comentário de António Capucho, no programa Política Mesmo, na TVI24
«Começam todos a desconfiar que Gaspar diz o mesmo que a Troika ou mais»
Comentário de Constança Cunha e Sá na TVI24
PUB