No programa Prova dos 9, da TVI24, o eurodeputado Paulo Rangel explicou as declarações de Passos Coelho sobre a necessidade de uma revisão constitucional, que seria uma forma "mais airosa" de resolver a situação política.

Segundo o eurodeputado, "aquilo que o primeiro-ministro disse é que uma das soluções que seria, com certeza, mais airosa para esta situação e mais transparente para os cidadãos, era haver eleições", uma vez que os portugueses só agora entenderam "esta cláusula".

Apesar das explicações, o deputado socialista João Galamba discordou das mesmas e falou de um "triste espetáculo da direita", com "declarações absolutamente inaceitáveis" por parte do primeiro-ministro.

"O que é inacreditável é haver pessoas a dizer assim: o Governo eleito pelo voto do povo foi derrotado pelo voto dos deputados. O que é isto? É que voto do povo só há um: são os deputados. Não há outro. Quer dizer, as legislativas elegem um parlamento que é soberano, portanto, o único voto do povo que há é a interpretação que cada deputado faz do mandato que recebeu".


Por sua vez, Fernando Rosas considerou que o primeiro-ministro "inaugurou esta noite uma nova reivindicação: mantenham-nos no governo, como governo de gestão, até junho, ou seja, abram um conflito político".

"O primeiro-ministro sabe que não é possível dissolver o parlamento. O parlamento é indissolvível do ponto de vista constitucional. Revisão constitucional também não pode haver porque nenhum dos outros partidos está disponível para uma revisão constitucional na maneira como ele a propõe".