Paulo Portas defende que Espanha "perdeu a batalha da comunicação" no dia do referendo sobre a independência da Catalunha, embora tivesse a "legalidade do seu lado", mas essa foi a única crítica que apontou ao Governo de Mariano Rajoy. De resto, eligiou o "extraordinário" discurso do rei Filipe VI e a bateria de críticas foi dirigida aos independentistas. Há dois cenários, para o comentador da TVI, antigo vice-primeiro-ministro e líder do CDS-PP, expressos no seu espaço no Jornal das 8 da TVI.

A prmeira hipótese é que "os nacionalistas quebrem e que uma parte deles dê passo atrás ou ao lado". É disso que Portas pensa que Rajoy está à espera. "Há sinais de que isso pode acontecer, porque o nacionalismo tem uma frente onde está o grande partido da burguesia catalã, que é independentista, mas não quer disparates económicos e dá sinais que não quer declaração de independência já".

A 2ª hipótese é uma coisa terrível - esta gente é muito obstinada, porventura acham que têm de fazer um passo mais em frente: dizem que têm mandato para declarar independência, mas segundo contas da própria Generalitat foram votar 42%. É suficiente para separar? Mas se houver declaração : provavelmente haverá um juiz que manderá prender o presidente da Generalitat, a consequência do chamado crime da sedição.

Impacto para Portugal

Se houver declaração de independência, isso "não é bom, com certeza", para Portugal. Portas resumiu os seus receios em poucas frases.

A decomposição de Espanha, ou o desmembramento, sabe-se onde é que começa, não se sabe onde é que termina. Se a Catalunha não se fosse embora, não seria a última. Temos o País Basco. Iriam fazer reorganizações peninsulares e isso não é bom para Portugal".

Ainda assim, fica aliviado pela "boa decisão" de os portugueses não terem querido avançar com a regionalização. 

O erro do Governo de Madrid

Uma coisa é certa, para o político: "Está à vista que existem duas Catalunhas praticamente da mesma dimensão, o que revela que isto é um problema político. Não é judical, nem policial. É político a uma questão muito séria". 

O problema é que o Governo espanhol quis lidar com o problema por essas duas vias "e porventura esqueceu-se que vivemos numa era de informação global e instantânea e é evidente que as imagens dos polícias a etirarem as urnas, admoestarem eleitores, a encerrarem colégios eleitorais, se as pessoas não tiverem mais informação, são chocantes".

Espanha perdeu a batalha da comunicação, mesmo que tivesse, como tinha, a legalidade do seu lado."

O "extraordinário" discurso do rei 

Já o discurso do rei Filipe VI de Espanha, esse sim, foi "extraordinário", nas palavras de Paulo Portas, que deu nota de que foi o mais visto da monarquia desde sempre.

Não foi hesitante, não foi ambíguo, disse que o que estava em causa é a unidade de Espanha, que a Generalitat estava a fazer chantagem sobre Espanha e pôs-se do lado - e este ponto é muito importante - da quase metade de catalães que não é independentista".

Portas lembrou que a Catalunha é região mais rica de Espanha. Entende que os nacionalistas não perceberam que se a Catalunha sair de Espanha e da União Europeia, "os bancos deixam de estar sob a proteção do BCE e os depositantes deixam de ter proteção do fundo de garantia de depósitos". "São coisas muito sérias".