Manuela Ferreira Leite disse, esta quinta-feira na 21.ª Hora, da TVI24, que é "hipócrita" a explicação de deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, acerca do novo imposto sobre o património.

Para a comentadora da TVI24 este tipo de proposta só pode avançar “por uma questão ideológica”, mas a ser assim, Manuela Ferreira Leite considera-a “completamente hipócrita”.

Ferreira Leite considera que se a medida pretende arrecadar 200 milhões de euros dos mais de oito mil contribuintes com propriedades acima do milhão de euros, isso só será aceitável para quem tiver a intenção de delapidar a propriedade privada

Se fizermos um pequeno cálculo mental ver-se-á que se está a tratar de 25 mil euros de imposto sobre o imposto que já existe. O que é uma violência que não é aceitável a não ser para quem queira delapidar o património de quem o possui”, disse.

Mas a críticas da comentadora da TVI24 foram também generalizadas à classe politica e, no fim, Manuela Ferreira Leite deixa um aviso ao Bloco de Esquerda porque tal posição irá ter, no seu entender, consequências na opinião pública.

Das coisas piores que os políticos podem fazer é querer transmitir uma mensagem sem ser clara”, defendeu a social-democrata. “Se é uma questão ideológica, o Bloco de Esquerda ficará ligado a uma situação à qual todas as pessoas irão reagir, até mesmo, com alguma violência”, alertou a ex-governante.

“Dá vontade de perguntar que FMI foi este que fez este relatório”

Outro dos assuntos que marcaram o comentário semanal desta quinta-feira foi o relatório do FMI que admite o cenário de um segundo resgate para Portugal. O Fundo Monetário Internacional diz-se preocupado com o fraco crescimento económico, a elevada despesa pública e a fragilidade dos bancos nacionais.

Manuela Ferreira Leite não perdeu a oportunidade de criticar o organismo e as diferentes posições que tem tomado desde o término do programa de ajuda externa ao qual Portugal foi sujeito.

“Dá vontade de perguntar que FMI foi este que fez este relatório”, questionou a antiga Ministra das Finanças que desvaloriza as conclusões do relatório do FMI sobre a possibilidade de um segundo resgate para Portugal.

Mas Ferreira Leite foi ainda mais longe e disse mesmo duvidar da credibilidade de quem fez o documento. Sempre que o Fundo Monetário Internacional divulga novo relatório sobre Portugal, Ferreira Leite admite que o encara “com muitas reticências” porque “há vários FMI’s e muitos [relatórios] assinados por pessoas importantes no próprio Fundo Monetário Internacional que dizem que o nosso programa foi errado, não deu resultado nenhum, ficámos na mesma, que não estava ajustado à nossa situação económica e social”.