Henrique Medina Carreira considera que o novo governo grego não está a agir de forma correta para com a Europa, ao prometer medidas contrárias ao recomendado, quando sabe que o país ainda precisa de ajuda.

No programa «Olhos nos Olhos» da TVI24, Medina Carreira disse que o novo Executivo grego «não apareceu com sensatez», e que «não tem sentido» falar em reintegração de funcionários e aumentos de salários quando se vai pedir um empréstimo.

«O novo governo [grego] não apareceu com sensatez. Se [alguém] for pedir dinheiro emprestado para cobrir despesas fundamentais, não tem sentido que antes de chegarmos a acordo sobre o empréstimo se reintegre funcionários, [faça aumentos de salário mínimo, etc.]».


Já o economista Ferreira Machado, convidado no programa desta segunda-feira, é mais crítico para com o Syriza e acredita que esta atitude do governo de Alexis Tsipras vai, eventualmente, conduzir à saída da Grécia da Zona Euro.

«Isso vai conduzir à saída da Grécia da Zona Euro. Acredito convictamente nisso. Apostei que o Governo do Syriza não dura este ano, [porque] eles pensam que conseguem incendiar o sul da Europa e com esse fogo forçar o norte a ceder. Se eles cedem, (…) aí paga ter um voto de protesto, porque o dizer “não pagamos” [passa a compensar], e isso é algo que a Europa não pode ceder».


Ferreira Machado espera que Portugal não se deixe contagiar por esta posição do governo grego, pois seria uma «machadada» na credibilidade do nosso país.

«Neste momento focalizarmo-nos na renegociação da dívida, sobretudo numa conferência de dívida europeia, lado a lado com [a Grécia], seria uma machadada na credibilidade da República Portuguesa, seria um disparate total».