Os comentadores da TVI Constança Cunha e Sá, António Costa, João Miguel Tavares e Paulo Ferreira acreditam que o Governo liderado por Pedro Passos Coelho vai ser chumbado. Em debate, esta sexta-feira, na “21ª Hora” da TVI24, os jornalistas consideraram que, neste momento, é sobre o secretário-geral do PS que recai a maior responsabilidade na apresentação de uma alternativa sólida de Governo.
 

“Se António Costa for para o Governo com o apoio do PCP e do Bloco, com o acordo deles, mas sem um acordo suficientemente sólido devidamente quantificado e com metas de cumprimento do défice, ele vai ser o principal trucidado disto porque, em poucos meses, isto descamba, em poucos meses estamos outra vez numa situação de crise orçamental, crise financeira, eleições e adivinhem qual é o partido mais penalizado no meio disto tudo…”, vaticinou Paulo Ferreira.

 
Paulo Ferreira sublinhou que o discurso que Cavaco Silva fez, esta sexta-feira, na tomada de posse do Governo, foi substancialmente diferente do discurso de indigitação de Passos Coelho, no dia 22. Para o comentador, há uma semana Cavaco Silva fez uma clara divisão entre partidos que podem ir para o Governo e partidos que não podem ir para o Governo, e agora fez uma diferença entre políticas, e isso faz toda a diferença porque coloca a pressão em António Costa.
 
“Isto coloca pressão em António Costa e claramente coloca o ónus em António Costa de fazer um acordo que seja minimamente decente e hoje depois de o Presidente da República falar foi a primeira vez que eu senti que António Costa, neste momento, é o grande protagonista e (…), quanto maiores as exigências, mais António Costa fica refém do PCP e do BE no sentido de ter um entendimento que seja satisfatório para o Presidente da República”, defendeu.
 
Na mesma linha, o comentador António Costa salientou que, ouvindo o Presidente da República, “ficou claro para toda a gente que a bola passa para António Costa”. O secretário-geral do PS tem agora a responsabilidade de apresentar um programa de Governo, com o apoio dos partidos à esquerda, que cumpra as matérias enunciadas por Cavaco Silva. E, portanto, António Costa no Governo vai depender politicamente das forças antieuropeias que, de alguma maneira, vão pôr os princípios antieuropeus de lado para suportarem o Governo socialista.
 

“António Costa deu sinais de que, mesmo com um mau acordo, que terá números, mas que pode depois não ser exequível na prática, prefere ir a novas eleições”, sublinhou.
 

 Não antevendo nenhuma possibilidade de que o Governo, esta sexta-feira empossado, ou qualquer outro Governo, se mantenha em gestão, também Constança Cunha e Sá entende que, se houver um acordo, é do “interesse de António Costa” que esse acordo seja minimamente sólido.
 

“Porque as consequências políticas para o Partido Socialista de um acordo que não é sólido são terríveis”, afirmou a comentadora.

 
Já João Miguel Tavares realçou que o líder socialista António Costa está hoje com uma vida mais difícil do que estava há uma semana.
 

“Compreendo muito mal se, de repente, aquilo que aparecer for um acordo de brincadeira, com umas intenções generalistas de ‘vamos combater a desigualdade’ ou ‘vamos dar formação aos adultos’. Se isso acontecer, não me parece que Cavaco Silva tenha de facto legitimidade para colocar um Governo minoritário de António Costa contra a vontade maioritária dos portugueses que votaram, acima de tudo, em Pedro Passos Coelho. Aí acho genuinamente que há uma espécie de sequestro dos votos dos portugueses”, defendeu.
 

“Eu penso que o voto dos portugueses pode ir até ao ponto de existir um acordo sólido à esquerda (…). Se isto não for nada, parece-me que Cavaco Silva fica numa posição insustentável. Porquê? Porque Cavaco Silva já fez de morto durante demasiado tempo com José Sócrates e o país chegou onde chegou. Não me parece que Cavaco Silva se possa dar ao luxo de fazer de morto uma segunda vez”, acrescentou.
 
João Miguel Tavares defendeu ainda que António Costa desde o primeiro dia “não esteve interessado em negociar com a coligação”. Para o jornalista, se o líder do PS tivesse estado interessado em negociar com a coligação PSD/CDS-PP, ele teria conseguido “imensa coisa” porque Passos Coelho, disse o comentador, estava disposto a abrir mão de imensa coisa para realmente conseguir formar Governo.