A comentadora da TVI, Constança Cunha e Sá, considerou, esta quarta-feira, que os partidos ditos "tradicionais" portugueses conseguiram contrariar a tendência europeia de implosão devido à época de crise, como aconteceu na Grécia e Itália, tendo optado por uma adaptação aos tempos correntes, de que são exemplo as negociações entre PS, PCP e BE.

Um exemplo desta abertura, disse Constança, é Jerónimo de Sousa que praticamente desde o dia das eleições optou por colocar de lado alguns ideais do partido, em nome de um entendimento com o PS.

Na rubrica "Sobe e Desce" da 21ª Hora da TVI24, Cunha e Sá colocou o líder do PCP a "subir", não só por ser o elemento que “desencadeia” as negociações, mas, justamente, por ter conseguido romper "com 40 anos de práticas do PCP, de uma forma surpreendente".

No sentido oposto – a "descer" – a comentadora da TVI coloca Jean-Claude Juncker e a Comissão Europeia por ameaçar Portugal com consequências pelo atraso na entrega do plano do Orçamento do Estado para o próximo ano, tendo ignorado a situação política do país.
 
A subir: Jerónimo de Sousa

"Jerónimo de Sousa revelou-se durante este processo a surpresa do pós-eleitoral. [Porque] é de certa forma Jerónimo de Sousa que desencadeia este processo . Na primeira reunião que teve com António Costa mostrou uma total disponibilidade para apoiar um Governo do PS, e isso criou um movimento: obrigou o PS a não poder recusar isto e o Bloco de Esquerda a acompanhar. (…) Jerónimo de Sousa rompeu com 40 anos de prática do PCP de uma forma surpreendente. (…) Foi um elemento chave para se chegar a este ponto".
 
A descer: Jean-Claude Juncker

"Convinha que a Comissão Europeia aterrasse em Terra e percebesse que em Portugal houve eleições, que este Governo não está em condições de mandar um Orçamento para lá. Portanto, vir ameaçar com processos é uma coisa que não faz sentido absolutamente nenhum. E isto mostra que as regras europeias são feitas em abstrato e não levam em conta a situação concreta dos países."