Paulo Portas comparou a polémica em torno do vereador do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Lisboa, Ricardo Robles, ao caso que, em Espanha, envolveu o líder do partido de esquerda "Podemos". Recorde-se que Pablo Iglesias esteve debaixo de fogo depois de ter comprado uma casa no valor de 600 mil euros. A análise de Paulo Portas foi feita este domingo, no seu espaço de comentário no Jornal das 8, "Global".

"Ambos são lideres de partidos ou de forças regionais de esquerda alternativa ou extrema esquerda, ambos são moralistas, ambos julgam os outros como se ninguém fora do Bloco de Esquerda fosse honesto, sério ou digno, ambos consideram que só no Bloco de Esquerda é que há dignidade, honestidade e seriedade e a mesma coisa no Podemos", começou por dizer Paulo Portas.

O antigo líder do CDS-PP sublinhou que Ricardo Robles e Pablo Iglesias são ambos "proprietários imobiliários" que "acabaram a fazer aquilo que criticavam aos outros".

Ambos são proprietários imobiliários e ambos acabaram a fazer aquilo que criticavam aos outros."

Paulo Portas foi mais longe e acusou o BE de apresentar uma "superioridade moral sobre os outros".

O que queria partilhar com as pessoas é só isto: a que título é que o BE tem essa superioridade moral sobre os outros que lhes permite ofender toda a gente que não seja deles e ter essa auto-atribuição de virtude como se lhes tivessem dado um doutoramento em virtude, não se sabe de onde? Isto paga-se caro porque depois choca com a realidade, como chocou esta semana."

"O conselho que dou é o seguinte: os moralistas acabam sempre vítimas da sua própria medicina e portanto o melhor é desconfiar deles", concluiu.

Outro dos temas abordados esta semana no "Global" foi a tragédia que abalou a Grécia: os incêndios que fizeram dezenas de mortos e causaram uma grande destruição. 

Portas criticou duramente a postura do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que não visitou o local da tragédia. Uma atitude que o centrista considerou de uma "cobardia grave e insensível".

O primeiro-ministro da Grécia não se dignou a visitar o local da tragédia e isto representa um desdém ou uma cobardia tão grave e insensível. (...) O risco de ser assobiado e de ser insultado, esse risco faz parte da profissão, é preciso ter essa coragem", vincou.

"Graças a Deus, sobretudo muito por intervenção do Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, as coisas em Portugal foram diferentes", acrescentou.

De resto, o comentador da TVI notou que os "gregos viveram um horror que a nós nos faz lembrar o que foi Portugal em 2017".

Faz-nos lembrar nas deficiências do planeamento operacional, sobretudo das evacuações, faz-nos lembrar no défice de ordenamento que acontece e se agrava quando as alterações climáticas apontam para situações de maior risco. Faz-nos lembrar porque as pessoas não parecem ter formação mínima de o que fazer e como fazer em situações extremas como aquelas que se viveram na Grécia", destacou.

Portas falou ainda sobre o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que, considerou, "foi um alívio para todo o mundo, talvez com exceção da China". 

É preciso saber quanto tempo é que resiste este clima de algum acordo", advertiu.

O comentador da TVI analisou ainda a polémica em torno da fotografia do jogador de futebol Ozil com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e antecipou os acontecimentos que vão marcar a agenda internacional nas próximas semanas, como a visita de António Costa a Angola.