"O convite não é uma grande ideia, mas o desconvite deixa uma sensação que ainda é mais desagradável", afirmou Paulo Portas relativamente ao convite feito a Marine Le Pen para participar na Web Summit. Este foi um dos temas abordados por Paulo Portas, esta semana, no seu espaço de comentário no Jornal das 8, "Global"

Na verdade, Paulo Portas diz mesmo que "não sabe o que é pior, se o convite se o desconvite”. Para o comentador, que tem opiniões divergente de Marine Le Pen, não se pode esquecer que esta conseguiu 35% nas eleições presidenciais em França. "Votaram nela o equivalente a um Portugal inteiro, 10 milhões de pessoas", acrescenta. Por fim, considera que este afastamento pode não ser a opção ideal e justifica:

"Cada vez que se toma uma atitude de proibição, isso acrescenta a vitimização dos populistas e até o seu triunfo."

 

O segundo tema abordado por Paulo Portas foi a queda da ponte Génova e concordou com a expressão usada pelo Presidente italiano, Sergio Mattarella, "a tragédia tem proporções inaceitáveis" e, por isso, "só pode inspirar solidariedade e respeito".

Para um governo que "acabou de chegar", Paulo Portas não tem dúvidas que "fez o que está nos manuais", fazendo o que devia fazer: "Foi ao local, organizou o resgate e o salvamento, em que a Itália tem uma extraordinária tradição, decretou o estado de emergência e mobilizou os primeiros fundos para poder acudir às circunstâncias".

Mas fez também, acrescenta, "o que os populistas fazem, ou seja, antes de qualquer inquérito, levantou o dedo e acusou um responsável."

Mesmo assumindo que esse levantar de dedo à concessionária, possa ter uma "provável razão, tanto quanto se percebe até hoje", Paulo Portas considera, no entanto, que "quando não se sabe porque é que um desastre, com estas proporções, aconteceu, mais vale não falar".

Dentro de 50 dias o Brasil vai ter eleições presidenciais e a candidatura de Lula da Silva, pelo PT, foi outro tema abordado por Paulo Portas. A insistência da candidatura do antigo presidente faz Paulo Portas acreditar que "Lula fez uma fuga para a frente e quem o seguir nessa fuga, eu acho que mais tarde se arrependerá".

O comentador da TVI lembra que no Brasil há uma lei denominada "ficha limpa" que impede políticos, condenados por um tribunal de segunda instância de se candidatarem a cargos políticos. E que este é o caso de Lula da Silva.

Paulo Portas considera que Lula da Silva "não é um preso político" e lembrou que este foi "condenado por um caso de corrupção e tem mais sete processos nos quais vai responder, alguns graves".

Considera mesmo que o que Lula está a pedir "à sociedade internacional e nacional, é que a sociedade diga 'Lula está acima da lei', aplica-se a todos menos a ele, o que tem uma especial gravidade, é que o autor da lei da ficha limpa, quem a promulga é Lula da Silva."

 

Em seguida, Paulo Portas falou sobre a crise na Turquia, em concreto, a crise da moeda turca e deu alguns motivos para o tema ser relevante para todos como, por exemplo, que "a turquia é importante porque é um dos maiores orçamento militares da Nato, logo a seguir ao americano, porque uma parte do sistema segurança da Aliança Atlântica, de que Portugal faz parte e é fundador, incluindo ao que se sabe, uma parte do arsenal nuclear, está não sobre o seu controlo, mas estaria ainda em território turco".

Mas há mais. O tema é também muito relevante para a Europa porque "não nos podemos esquecer que senhor Erdogan e a Turquia têm em campos de refugiados, entre aspas 'guardados', 2,5 milhões de refugiados", lembra Paulo Portas.

"A Europa paga para que esse dique esteja fechado", acrescenta.

Depois há também a questão da exposição bancária da Europa à moeda turca. O BBVA foi um dos exemplos dado por Paulo Portas.

Por fim, em jeito quase de homenagem, Paulo Portas falou sobre Kofi Annan e Aretha Franklin.

Paulo Portas recordou que Kofi Annan "era um senhor, um diplomata, amigo de Portugal, sobretudo de Timor".

"Uma das melhores vozes da América", foi desta forma que Paulo Portas se referiu a Aretha Franklin.