Manuela Ferreira Leite não acha normal – palavras suas - que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social seja utilizado para medidas de reabilitação urbana. A comentadora da TVI24 afirmou, esta quinta-feira, na 21ª Hora, que este “mealheiro” da Segurança Social não tem como objetivo resolver problemas de caráter social, mas antes fazer face a acontecimentos que possam levar à ausência de recursos da Segurança Social e, assim, pagar pensões durante dois anos.  

“Esse mealheiro é constituído com o objetivo de que tem os fundos suficientes para durante dois anos pagar os encargos com pensões e é para isso que as pessoas descontam para esse fundo. (…) Este fundo não é para resolver problemas de natureza social. Este não é o objetivo deste dinheiro. O objetivo deste dinheiro é ter um fundo que, um dia, se necessário, pague as pensões durante dois anos.“

A antiga ministra das Finanças comentava o anúncio feito pelo Governo de que uma parte desse fundo será aplicado na recuperação patrimonial de edifícios degradas e reconstrução de habitações sociais, no sentido de estimular o arredamento a preços acessíveis.

Ferreira Leite entende que se trata de uma "aplicação errada", sublinhando que a limitação das rendas em causa não a tornará rentável.

"Não acho normal, acho mesmo muito pouco normal e arriscado. É que se fosse para comprar imobiliário que fosse rentável, nas condições em que o mercado é rentável em termos de aplicação em imobiliário, isto é, para alugar, ter rendas e essas rendas serem aquelas que vigoram no mercado, eu poderia dizer ‘pode ser que tenhamos sorte e seja uma boa aplicação’. Mas não. É para reabilitaçao urbana, em que as casas terão limitação de rendas, que não podem ser mais do que entre 250 e 450 euros."

A comentadora da TVI24 destacou que este é um assunto que "toca no futuro e de forma absolutamente errada", ressalvando que não tem "nada contra o projeto", que poderia ser executado, por exemplo, através de fundos europeus.

Outro dos assuntos que mereceu o comentário da social-democrata foi os avisos das organizações internacionais à execução orçamental. Ferreira Leite disse que os avisos são para toda a Europa e, por isso mesmo, Portugal "não irá ficar isolado no bom caminho". 

Falando sobre o relatório do FMI, a comentadora destacou um aspeto que considerou "interessante" e com "graça": o facto de Vítor Gaspar ter subscrito um documento que apresenta "ideias opostas" às que defendeu enquanto governante.

"O relatório é feito pelo gabinete de estudos que é dirigido por Vítor Gaspar e o que está dito, e portanto subscrito pelo diretor, é exatamente o contrário do que aconteceu em Portugal: a ideia de que não há ajustamentos orçamentais sem crescimento económico."