Os três têm cores políticas diferentes, mas numa coisa Paulo Rangel (PSD), Francisco Assis (PS) e Octávio Teixeira (PCP) estão de acordo: a crise grega está atingir contornos nunca antes vistos, os avanços e recuos do governo grego merecem críticas, mas também as instituições, até porque a reestruturação da dívida helénica e de outros países é uma questão que terá, mais cedo ou mais tarde, de se colocar. "Esta gente completamente errática", leia-se, o governo grego, segundo Paulo Rangel, é que não está a ajudar nada, nem o seu povo, nem a Europa. 

"Fez-se um caminho duro e difícil, que suscitou confiança nos parceiros europeus, credores e mercados. A Grécia estava a fazer isso com todos estes custos, interrompeu este ciclo com esta gente completamente errática. Este senhor que está aqui a prometer um referendo (Alexis Tsipras) apresentou uma candidatura a um resgate na quarta-feira e até disse que aceita todas as condições, com três exceções, que significam 60 milhões de euros, que com certeza os credores aceitarão"

Por isso, Paulo Rangel rejeita quem atira críticas ao Eurogrupo. "Não venham dizer que é a zona euro que está a fazer o mal e a caramunha" .

Octávio Teixeira tem uma interpretação diferente, classificando de "chantagem" o que as instituições europeias estão a fazer com Atenas, embora tenha reconhecido que os avanços do governo Syriza não estão a ajudar. 

O caminho que a Europa está a seguir levou Octávio Teixeira a outra reflexão: "É possível a coexistência da união monetária e da democracia?".

Francisco Assis destacou, na mesma linha, a "irresponsabilidade do Syriza". E apontou o dedo à UE, por causa da dívida. "Tem de haver a noção de que o problema da dimensão da dívida existe. Não estamos em condições de fazer uma denúncia unilateral da dívida".

Mais tarde ou mais cedo, "e também em relação a Portugal", essa questão vai ter de se resolver.