O eurodeputado Francisco Assis disse, esta quinta-feira, que o lugar do PS no parlamento deve ser o de partido da oposição, excluindo a hipótese dos socialistas se unirem ao Bloco de Esquerda e ao PCP para formar um Governo de esquerda.

No programa “Prova dos 9” da TVI24, onde também estiveram Paulo Rangel (PSD) e Fernando Rosas (BE), Assis disse que existem divergências “insanáveis” que impossibilitam um Governo deste género.

“Entendo que subsistem divergências de tal modo insanáveis que não vislumbro a possibilidade, não apenas de não se constituir um Governo de coligação, que me parece, a nível pessoal, absolutamente impensável, como também, julgo que não é pensável um Governo do PS, um Governo monopartidário, com o apoio parlamentar do PCP e Bloco de Esquerda”, disse o eurodeputado.

Assis disse que o PS deve fazer oposição e deixar que se constitua um Governo com os partidos que ganharam as eleições.

“Não havendo maiorias absolutas o que me parece a solução mais adequada era que se constituísse um Governo da coligação que ganhou, e houvesse da parte do Partido Socialista  um papel de partido de oposição.”


Já o eurodeputado Paulo Rangel (PSD) considera que as reuniões entre os partidos mais à esquerda com o PS não passam de uma “tática” para ganhar “margem negocial” com o PSD e o CDS.

“Acho que estamos perante uma pura encenação tática. As negociações que estão a ser feitas entre o centro-esquerda socialista e a esquerda radical do BE e PCP para mim não passam de jogadas táticas [destes últimos] para entalarem o Partido Socialista, e do PS para ganhar margem negocial frente ao Governo”, disse Rangel.

Por sua vez, Fernando Rosas considerou que as reuniões entre estes partidos são perfeitamente legítimas e caem em linha com um percurso de diálogo que o Bloco de Esquerda já tinha aberto na campanha eleitoral.

“É perfeitamente normal que o PS vá perguntar aos partidos que estão à sua esquerda o que tencionam fazer. Tanto mais que, no que toca ao Bloco de Esquerda, durante a campanha eleitoral e durante o debate da Catarina Martins e do António Costa as condições que ela pôs para uma conversa com o PS não tinham a ver, nem com o Tratado orçamental, nem com a discussão da dívida. As questões que ela colocou foi: não congelar as pensões, não facilitar os despedimentos e não cortar a TSU para não descapitalizar a Segurança Social.”


Para Fernando Rosas “inaceitável” é o Presidente da República tentar impor condições para a formação de um Governo.

“É inaceitável que o Presidente venha dizer: ‘eu só dou posse a um Governo que respeita a NATO, o euro, a divida, o Tratado Orçamental’. É inaceitável. Pode ser a opinião dele, mas é inaceitável do ponto de vista da prática constitucional. O PR não tem que marcar limites ideológicos a qualquer Governo”.