Fernando Medina acredita que, caso haja um acordo entre PS, BE e PCP, o Presidente da República indigitará António Costa como primeiro-ministro. O comentador da TVI e TVI24 disse, esta terça-feira, na rubrica "Cara, Conto, Caso" que um acordo à esquerda é uma "solução de governo estável", ao invés de um governo de gestão, que irá trazer um "nível de incerteza pesado", e a "larga experiência governativa" de Cavaco Silva leva-o a crer que o chefe de Estado irá empossar um governo socialista.

Um governo de gestão "criará um nível e incerteza na economia e nos agentes económicos, na nossa relação com os parceiros internacionais, que é de tal forma pesado que me leva a concluir que Cavaco Silva, que tem uma larga experiência governativa e moldado muitas decisões com base nessa experiência governativa, que na posse de um acordo entre os três partidos indigitará António Costa".


Para o comentador da TVI a hipótese de um governo de gestão irá trazer "consequências imprevisíveis" à economia do país, uma vez que este será um "governo diminuído" que irá fazer com que os calendários se arrastem.

"Se for para a solução de governo de gestão estaremos a introduzir uma situação com consequências imprevisíveis na economia do país porque os calendários vão-se arrastar, teremos um governo totalmente diminuído do ponto de visa das suas competências para tomar as opções que se exigem."


Os manuais escolares e as dificuldades das famílias na reutilização dos mesmos foi outro dos temas da rubrica, que partiu de um trabalho de análise feito pelo jornal Público. Segundo este diário, 80% do conteúdos dos manuais é igual, sendo que cerca de 70% das páginas são exatamente as mesmas e 9% das páginas têm pequenas alterações.

Fernando Medina sublinhou que as famílias portuguesas tiveram de gastar, este ano, 528 euros em manuais. Uma quantia que considera ser "astronómica" se se tiver em conta o que são "os rendimentos médios das famílias portuguesas". O comentador lembrou que o ganho médio das famílias "não ultrapassa os 1000 euros".

"As famílias portuguesas tiveram de pagar 528 euros, isto é mais do que tinham pago antes e é uma quantia astronómica se pensarmos no que são os rendimentos médios das famílias portuguesas. O ganho médio das famílias não ultrapassa os 1000 euros e cerca de 500 foram destinados a manuais. Para quê? Para comprarem manuais que no fundamental são iguais aqueles de há cinco anos."



Por isso, considera que esta é uma situação "verdadeiramente imprópria e que tem de ser atacada". Para Medina não faltam soluções, falta é vontade política.

"É uma situação que se arrasta há muito tempo e que tem atravessado vários governos, mas é uma situação verdadeiramente imprópria e que tem de ser atacada. Existem muitas soluções, tem é que haver vontade. Não é aceitável que as famílias enfrentem estas dificuldades para compararem um produto que é igual."