O comentador Fernando Medina diz que não esperava o desfecho do caso Banif, “três semanas depois deste Governo tomar posse” e considera que o anterior Governo não sai bem na fotografia. O comentador escolheu o assunto como caso da semana, durante a rubrica “Cara, Conta, Caso”, da 21ª Hora.
 

“Eu não esperava que este caso rebentasse da forma como rebentou três semanas depois deste Governo tomar posse. Acho que era inesperado para todos. (…) Nós hoje vamos percebendo um pouco melhor o enredo que nos fez chegar até aqui. E esse enredo é um enredo de onde o Governo anterior sai muito mal.”

 

Naturalmente, houve aqui uma gestão política deste processo. Pelo meio havia eleições e não era popular e não era agradável pegar neste dossier. O que o anterior Governo e Maria Luís Albuquerque pensaram é que podiam passar o período eleitoral e depois logo se via. “

 
Fernando Medina sublinhou que deixar as escolhas para a última hora nunca é boa solução e o mesmo aconteceu no caso Banif: “Quando se adia uma decisão, estamos sempre em piores condições para a tomar.”
 

“Era uma escolha entre uma péssima decisão e uma decisão muito difícil. Foi essa a escolha que este governo teve de fazer: escolher entre liquidar o banco (…) No cenário da liquidação, o Estado teria perdas muito significativas, perder-se-iam todos os postos de trabalho e, mais grave, seria a primeira vez que haveria a proteção dos depósitos acima dos 100 mil euros. “

 
O comentador insiste numa diferença entre o caso Banif e situações anteriores como a do BPN ou a do BES: “Este era um banco público. Depois da recapitalização, o Estado ficou a mandar em 60% do banco.”
 

“Foi uma decisão difícil, mas sem dúvida melhor que a alternativa, que era liquidar o banco. Liquidar o banco significaria assumir todas as perdas, (…) mas seria sobretudo a primeira vez que seria posta em causa a confiança no sistema financeiro português, porque era um banco público que deixaria de assegurar os depósitos acima dos 100 mil euros.”

 
“Esta decisão é uma decisão de coragem e é a decisão menos má. É uma decisão dolorosa, como lhe chamou António Costa, mas tem o grande mérito de estancar definitivamente o problema.”