Surpresa. Há agora pessoas  indignadas com as claques. Há gente horrorizada com os cânticos criminosos que se ouvem nos estádios e nos pavilhões deste País. Presidentes e direções pedem  desculpas e recriminam os seus. E atacam e recriminam os rivais. De um momento para o outro o Portugal futebolístico conseguiu ouvir e ver o que os anónimos adeptos de  bancada escutavam e observavam há anos. Insultos, intolerância e violência nas bancadas dos nossos recintos desportivos.

Entre comunicados e desculpas, acusações e insultos, o observador menos apaixonado diverte-se com tamanha hipocrisia. Nestes dias o encarnado é sinónimo de hipocrisia e de amnésia. O azul também. O verde idem. São iguais. Estão empatados e não têm vergonha.

Federação e Liga, não poupem as claques. Castiguem quem lidera esses grupos organizados. Identifiquem e punam de forma exemplar quem quer transformar os nossos recintos desportivos  em arenas. Tirem essa gente dos nossos  pavilhões e dos nossos estádios. Façam isso, mas tenham a certeza que não estão a eliminar o problema.

A  origem da violência  não está só na rua, nos bairros pobres, nos jovens sem futuro ou na delinquência. Essa gente junta-se e organiza-se à volta de uma bandeira porque há dirigentes que dão o exemplo. Que de uma forma ou de outra os acarinham e os apoiam.

Os principais responsáveis pelo  ambiente que se vive no desporto português estão nos gabinetes dos clubes. Principalmente dos grandes. São os presidente e os seus eleitos a ignição. São eles  que há muitos anos espalham o combustível que tudo incendeia. Na primeira pessoa ou recorrendo a papagaios ou a ventríloquos de aluguer. Atacam árbitros, dirigentes, treinadores e jornalistas. Pressionam, insultam e intimidam.  Os alvos são todos os que não pensam ou não agem como eles. Uma condutada estudada ao pormenor e que acaba por caucionar o que depois se vê e ouve nas claques.

São eles que contratam diretores de comunicação que fazem pior ao futebol do que centenas de militantes de qualquer claque. São esses avençados que ajudam a espalhar o ódio e a alimentar a intolerância.

Recatado no fresco do gabinete, como no tempo em que era assessor de José Sócrates, Luís Bernardo, diretor de comunicação do SLB (o ano passado era do SCP…) procura ser tão convicto de vermelho como era de verde. E espalha as mesmas ideias, independentemente do lado da 2ª circular onde monta gabinete.  Nuno Saraiva trocou o DN pelo SCP. E mudou. Num passe de mágica entregou a Carteira Profissional de Jornalista e passou a insultar alguns dos seus antigos camaradas. Foi o primeiro dos muitos trabalhos que esperam essa hercúlea figura do futebol português.

Francisco Marques trocou o JN pelo  FCP. De anónimo jornalista a acusador mor foram umas semanas. E aí está mais um Torquemada de bolso.

Escutamos esta gente, ouvimos há anos os dirigentes dos clubes dizer coisas incríveis e querem agora convencer o País que temos um problema com as claques.  

Temos um problema com as claques. Mas não é o mais complicado!