Constança Cunha e Sá disse, este domingo, na TVI24, que o PS é com toda a certeza o grande derrotado das eleições. No comentário aos primeiros resultados que dão a vitória a Passos Coelho nas legislativas, a comentadora considerou que se trata de uma vitória surpreendente “para quem olhasse o país há seis meses atrás”. Constança Cunha e Sá realçou que, embora vencendo, a coligação “Portugal à Frente” (PàF) perdeu votos, mas acrescentou que o PS não conseguiu tirar vantagem disso.

“É evidente que o grande derrotado destas eleições é o PS, não há volta a dar. Porque se a coligação desce, e desce em relação à base de apoio que tinha em 2011, a verdade é que o PS não consegue capitalizar isso”, afirmou.


Perante os dados que estão em cima da mesa, Constança Cunha e Sá disse não antecipar “governabilidade nenhuma” para o país. A comentadora apontou que se o PS cumprir aquilo que António Costa já disse, e votar contra o Orçamento da Coligação, “não se vê muito bem” como é que se poderá sair da situação.

“E portanto estou de acordo que, qualquer que seja o resultado e sabendo já que não vai haver uma maioria absoluta, é muito natural que no final deste ano, se calhar, tenhamos novas eleições”, antecipou.


Para Constança Cunha e Sá, uma das grandes vitórias da noite eleitoral foi a do Bloco de Esquerda (BE).

“O BE tem vindo a perder terreno nas últimas eleições, esperava-se o pior para estas eleições, com as dissensões que houve, formação de partidos alternativos, e a verdade é que, com a manutenção do PCP (que aparentemente não desce), a verdade é que o BE está em vias de conseguir o seu maior resultado de sempre”, afirmou.

Quanto ao PS, Constança Cunha e Sá entende que o partido cometeu dois erros.

“Um foi o de se deixar enredar por completo na teia construída pela coligação, que fez esquecer por completo o que foram estes quatro anos, O PS deixou que o centro da discussão apontasse não nos quatro anos da coligação, mas no programa eleitoral do PS, e portanto passou metade da campanha a defender as suas próprias propostas”, defendeu.

“E depois acho que a questão de José Sócrates teve uma grande importância por uma razão muito simples: porque António José Seguro, um dos objetivos com a sua candidatura ao PS, era resgatar a herança do PS. E a prisão de José Sócrates inibiu-o disso: nunca mais se falou na herança política de José Sócrates”, acrescentou.