O comentador da TVI, António Costa, criticou, esta sexta-feira, a oposição, e em particular o PS, por não haver acordo sobre a participação dos partidos nos debates televisivos. Na TVI24, o comentador disse que, ao não permitirem que o líder do CDS-PP (partido minoritário da coligação com o PSD) participe nos debates televisivos, durante a campanha eleitoral para as legislativas, os socialistas estão a dar um pretexto para que Paulo Portas e Pedro Passos Coelho fujam aos debates.

“Tenho dificuldade em perceber o ponto do PS. Eu creio que está a dar as melhores condições para o PSD e para a coligação, de facto, fugirem aos debates. [O PS] está a dar de bandeja um pretexto fantástico para não debaterem”, afirmou António Costa.


O comentador defendeu que o PS tem todo o interesse em confrontar a coligação com o exercício dos últimos quatro anos de governação.

“Parece-me que, politicamente, apesar de num debate estarem Paulo Portas e Passos Coelho e serem objetivamente dois a defender o que foi feito nos quatros anos, também creio que [António Costa] poderia aproveitar bem (…) as contradições dos últimos quatro anos, aproveitando ter à sua frente os dois candidatos e mostrando ao país que aquela coligação, durante tanto tempo, foi tudo menos uma coligação forte”, referiu.

“O PS sempre utilizou o argumento de (…) que Paulo Portas tinha um peso excessivo e até mandava no Governo, e agora quando têm oportunidade de o confrontar, agarram-se a um problema formal que é ‘este é um debate para os partidos que se candidatam às eleições' (e daí, a coligação só ter ‘direito’ a uma pessoa) e não aos partidos com assento parlamentar”, acrescentou.


Para o comentador, ficariam todos e o país seguramente a ganhar se, em vez de vetarem Paulo Portas, PS, PCP e BE aceitassem Heloísa Apolónia e aceitassem a presença dos Verdes e alargassem o debate. Ainda assim, António Costa sublinhou que as coisas [os partidos] não são iguais e não têm todos o mesmo valor político.
 

“O país perde sempre que os legisladores, o Governo, a Assembleia da República, os deputados tentam traçar a régua e a esquadro, de forma politicamente correta, a cobertura eleitoral que deve obedecer a critérios editoriais (…). Sem ser politicamente correto, não é a mesma coisa ter os Verdes num debate e ter Paulo Portas, vice-primeiro-ministro, e o CDS (…). Do ponto de vista político, os portugueses querem saber e querem ouvir Paulo Portas ser questionado sobre o que fez e querem ouvir as contradições entre os dois e querem sobretudo perceber o que é que afinal querem fazer nos próximos quatro anos. E querem saber obviamente mais do que querem saber o que os Verdes propõem para os próximos quatro anos”, rematou.